AMBIENTE – Peixes migradores mostraram-se em Coimbra

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«Olha
um barbo», apontou, entusiasmado, Pedro Raposo, professor da Universidade de
Évora, que acabara de chegar ao interior do edifício de monitorização da Passagem para Peixes de Coimbra.
A
Universidade de Évora e a Agência Portuguesa do Ambiente organizaram ontem
(data em que se assinalou o Dia Mundial dos Peixes Migradores) visitas ao
interior do edifício de monitorização da escada de peixe, junto ao Açude-Ponte,
na margem esquerda do Mondego.
Na
visita foi sublinhado que em 2013 e 2014 mais de três milhões de peixes
utilizaram a Passagem para Peixes de Coimbra.
Segundo
o docente da Universidade de Évora, num ano cerca de 20 mil lampreias passaram
na escada de peixe, que as ajuda a transpor o açude de Coimbra na sua subida do
rio Mondego. Números que deixaram admirados os visitantes.
Jorge
Carvalho, residente em Coimbra, é um amante da pesca e por isso deslocou-se ao
edifício para «ter uma ideia do número de peixes que ali passam».
Isabel
Marques, por outro lado, afirmou que já sabia da existência desta estrutura,
mas estava curiosa para ouvir as explicações dos técnicos durante a visita.
A
Passagem para Peixes de Coimbra tem 125 metros de extensão e permite às espécies
piscícolas ultrapassar o obstáculo criado no rio Mondego pelo Açude-Ponte, onde
existem nove comportas.
Na
opinião do docente Pedro Raposo, a existência de mais peixe no Mondego
desincentiva a pesca ilegal, nomeadamente da lampreia, uma vez que baixa o
preço de venda.
De
acordo com um técnico da Agência Portuguesa do Ambiente, os açudes construídos
no rio com fins turísticos impediam a progressão dos peixes e, por isso, foram
alterados para fazer rampas entre Coimbra e Penacova.
A
lampreia, o sável, a savelha, o muge e a enguia-europeia, o barbo, a boga-comum
e a truta do rio são as principais espécies beneficiadas com a reabilitação do
habitat promovida no Mondego.
O
Dia Mundial dos Peixes Migradores, subordinado ao lema “Ligando Peixes, Rios e
Pessoas”, destinou-se a sensibilizar as populações para a importância da
preservação dos rios, com particular destaque para os peixes migradores e os
seus requisitos ambientais.
A
Agência Portuguesa do Ambiente (APA), enquanto autoridade nacional da água,
associou-se a esta iniciativa, promovendo sessões de divulgação de projectos
que tem implementado.
A
Passagem para Peixes de Coimbra foi construída em 2011 no Açude-Ponte de
Coimbra e permite a migração no rio Mondego das principais espécies de peixes,
contribuindo para a sua conservação e sustentabilidade da exploração.
José João Ribeiro – Diário
de Coimbra