O ingresso na vida partidária, uma questão de princípios

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O meu ingresso na Juventude
Socialista esteve longe de ser uma decisão tomada de ânimo leve. Desde cedo
grassou em mim uma profunda desconfiança, a roçar o desprezo, pelos partidos
políticos e em especial pelas juventudes. A frequência universitária e um olhar
mais crítico sobre a realidade só fez com que este sentimento se aprofundasse:
perdi por completo a crença quando percebi que os partidos funcionam por
compadrios e as juventudes são usadas como marionetas. Cheguei a declarar-me
apartidário, mas o Sentido de Estado não me deixou entregar á indiferença comum
no jovem português e, depois de várias tentativas de acção política desgarrada,
com resultados decepcionantes, vi-me obrigado a rever a minha posição.

Essencialmente, um partido é um
grupo organizado com o objectivo de ocupar o poder. Certamente uma rápida
pesquisa dará ao leitor uma definição mais completa, mas na maioria das
definições não há nenhuma referência ao fundo ideológico dos partidos. Isto é
assim para permitir ao partido evoluir, mas também para dar margem de manobra à
liderança.

No entanto, um partido é acima de
tudo constituído por pessoas que partilham um núcleo de visões políticas
comuns. A ideologia é o cimento que mantem a estrutura sólida e relevante para
a sociedade. Eu sabia que precisava de fazer parte de um grupo de pessoas
igualmente interessadas para levar as minhas ideias a bom porto.

Considerando as nuances da
liderança, percebi que a minha escolha partidária não podia depender apenas de
uma aproximação aos meus ideais, mas também da capacidade da liderança para
promover a discussão interna e aceitar posições políticas dissonantes. Esta
minha exigência reduzia consideravelmente as minhas opções, pois o seguidismo é
uma qualidade apreciada em certos quadrantes.

Adicionalmente, o partido que eu
escolhesse não podia ir contra a minha base ideológica, e se há um princípio
que considero ser a pedra angular da minha ideia de sociedade, ele está
previsto no artigo 13º da Constituição da República Portuguesa, e cito:        

1.Todos os cidadãos têm a mesma
dignidade social e são iguais perante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado,
beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer
dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem,
religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica ou
condição social.


Foi a crença acérrima neste
princípio que me fez optar pela Juventude Socialista. Só um grupo reconhecido
pela promoção inicial de matérias como a interrupção voluntária da gravidez, a
extinção dos tribunais militares e das jurisdições especiais, a gratuitidade
dos manuais escolares, as uniões de facto ou o casamento e adopção por casais
do mesmo sexo poderia adaptar-se à minha ânsia de igualdade.              

Hoje sinto um renovado orgulho em
fazer parte da Juventude Socialista, que se prepara para fazer história mais
uma vez. Com o aproximar do XXI Congresso Nacional do Partido Socialista, a JS
preparou três moções sectoriais que visam a legalização e regulamentação das
drogas leves, o estabelecimento de um tecto às remunerações dos gestores,
proporcional ao salário dos seus trabalhadores, e ainda a regulamentação da
prostituição.

Por se tratarem de matérias
sensíveis, mas que representam uma clara evolução para o país a todos os
níveis, mas principalmente aos níveis social, económico e de cidadania, pretendo
dedicar a cada uma delas um pequeno artigo no futuro próximo.

Até lá,
Rui Sancho