PATRIMÓNIO – As Terras Galegas, raro documento sobre território comum a Coimbra e Penacova

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Entre os diversos forais novos que D. Manuel I concedeu a comunidades
da Região de Coimbra, no séc. XVI, há um que merece particular referência, por
ter sido concedido a um território muito abrangen
te, não circunscrevendo a
outorga do diploma, como era norma, a um concelho. Refiro-me ao foral das
Terras Galegas, concedido nos últimos momentos da reforma manuelina, a
25/04/1520.
Este foral, à guarda da Torre do Tombo, foi registado no Livro dos Forais Novos da Estremadura,
com a titulação de Foral pera a terra
gallega Reguengo del Rey em Terra de Cojmbra
. Em variada documentação sobre
a tutela dos arquivos municipais e distritais, surgem esparsas referências à
sua existência, dado o seu cariz regulamentar e administrativo.
Perguntará o leitor: mas onde ficam essas Terras Galegas? Ao que vos responderei, que tal território, por mim
delimitado na Monografia da Freguesia de Botão (2002), com apoio dos venerandos
homens conhecedores da microtoponímia, percorre esta freguesia a norte/nascente
do eixo Botão-Larçã-Paço, sendo o seu coração constituído pelos casais que se
localizavam na Mata de S. Pedro, Sanguinhal e Ponte da Mata. Contudo, dele
também fazia parte uma área muito considerável das actuais freguesias de Sazes
e Figueira de Lorvão, do Município de Penacova, incluindo a parte Oeste/Norte
da bem conhecida Serra do Buçaco.

Trata-se, pois, de um imenso território, que se estendia por diversos
quilómetros quadrados e, entre as diversas particularidades históricas que o
envolvem, está o facto de ter sido disputado pelo Mosteiro de Lorvão e o Rei D.
Dinis no séc. XIII, designadamente, pela sua riqueza de florística e faunística
– traço que se mantém na actualidade e que vale a pena (re)descobrir.
Quanto à origem da designação Terras
Galegas
, tem-se apontado como possibilidade mais consistente a fixação de
colonos oriundos da Galiza, que ali se instalaram na sequência das guerras da
reconquista cristã, conjugada com intentos de povoamento dinamizados pelos nossos
primeiros monarcas.
Faltam quatro anos para que possamos celebrar os 500 anos da outorga
deste foral. Embora até lá muita coisa possa acontecer, fica desde já registado
o meu desejo, que será, certamente, partilhado por muitos conimbricenses e
penacovenses. Que os decisores da política cultural saibam unir estas
freguesias e respectivos municípios em torno de tão extraordinário
acontecimento.
João Pinho

P.S. – Já depois de escrever estas linhas tive
conhecimento que o projecto «Memórias de Penacova» é um dos quatro finalistas
ao prémio Município do Ano Centro.
Será que na recolha do património material e imaterial consta tão relevante
documento? Oxalá que sim…

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