CERIMÓNIA – Capacetes benzidos prontos para ir ao fogo e regressar

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Foi uma missa inédita no
distrito, a que se assistiu ontem na Sé Nova, em Coimbra, com cerca de três
centenas de bombeiros que “pintaram” a igreja de vermelho. Assistiram à missa,
onde o bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, passou uma mensagem de conforto a
quem, diariamente dá do seu tempo a servir o próximo. Depois, já no exterior do
templo, assistiram à benção dos capacetes.

O presidente da Federação de
Bombeiros do Distrito de Coimbra, António Simões, fala de uma cerimónia que,
sendo, inédita, «pelo menos no distrito de Coimbra», pretendeu «confortar,
espiritualmente, os bombeiros». «Sentimo-nos mais protegidos, mais confortados
com esta benção», disse o também comandante dos Bombeiros de Penacova.

Os bombeiros, por seu lado, pela
benção dos seus capacetes, sentem que foi o momento que marca o início de uma
época de fogos que, «felizmente», está a correr pelo melhor.

«Que a época de incêndios corra
bem, que não haja feridos nem tragédias, que aquele senhor que está lá em cima
e tudo vê e tudo sabe esteja de olho em nós», desejou Ana Lima, voluntária há
13 anos nos Bombeiros de Condeixa-a-Nova. Ao lado, o colega da Pampilhosa da
Serra, Francisco Ricardo, pediu «protecção». «Vamos e queremos voltar para a
família», afirmou.

O momento alto da cerimónia foi a
benção dos capacetes pelo bispo de Coimbra, capacetes que os bombeiros desejam
não ter de usar. É sinal, explica a bombeira Maria Alexandra, que não há
incêndios. Com 16 anos de experiência como bombeira, recorda o trágico ano em
que 80% do território da Pampilhosa da Serra foi devorado pelas chamas. «Sou do
grupo daquele ano de 2005, um ano para esquecer», recorda, falando dos fogos
que fatalmente levaram um colega.

O presidente da Federação lembra
que os incêndios florestais representam uma pequena parte – «5 a 6%» – do
trabalho dos bombeiros, mas não deixa de reconhecer que «é a actividade mais
mediática e a que representa maiores riscos». O combate às chamas é inevitável,
mas a palavra de ordem, segundo António Simões, é «prevenção», sobretudo junto
dos mais jovens.

Ainda segundo António Simões,
apesar de na cerimónia estarem apenas cerca de 300 bombeiros, há no distrito,
entre as várias corporações, um total de 2.500 homens.

Margarida Alvarinhas – Diário de Coimbra