CIÊNCIA VIVA – O céu de julho

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O início e
final deste mês, mais concretamente os dias 2 e 29, serão marcados pela
passagem da Lua junto a Aldebarã, uma estrela gigante alaranjada que constitui
um dos olhos da constelação do Touro.

Na primeira
segunda-feira do mês (dia 4) terá lugar a Lua Nova. Neste mesmo dia a Terra
atinge o seu afélio, isto é, o ponto da sua órbita mais afastada do Sol. Apesar
disso, como nesta altura do ano o Hemisfério Norte encontra-se voltado para o
Sol, esta parte do globo recebe mais radiação solar do que o Hemisfério Sul, ou
do que ele próprio recebia há seis meses. Assim por estes dias é verão em
Portugal enquanto em países situados abaixo do equador é inverno.

Na noite de dia
7 para 8 a Lua situar-se-á ao pé de Régulo, o coração da constelação do Leão.
Dois dias depois, ela já terá passado ao lado de Júpiter, que por estes dias
encontra-se entre as constelações do Leão e da Virgem.

O quarto
crescente terá lugar na madrugada de dia 12 muito perto da estrela Espiga, a
estrela mais brilhante da constelação da Virgem. Quatro dias depois, a Lua já
se terá chegado até junto de Saturno, o qual por estes dias se encontra entre
as constelações do Escorpião e do Ofúco.

Não será
possível observar Mercúrio e Vénus até ao meio do mês por estes se encontrarem
numa direção muito próxima da do Sol. Mas a partir desta altura começarão a
apresentar-se como estrelas da tarde.

A Lua Cheia irá
ocorrer no final do dia 19 e o quarto minguante ao início de dia 27.

Este quarto
minguante coincide com o pico de atividade da chuva de estrelas Delta Aquáridas.
Trata-se uma chuva de meteoros relativamente fraca da qual, mesmo em condições
de observação ideais, não se devem esperar mais do que uma vintena de meteoros
por hora. Embora estes meteoros possam aparecer em qualquer direção, têm em
comum o parecerem surgir de uma região do céu (o radiante) próxima da estrela
delta da constelação do Aquário, daí o seu nome.

A segunda
passagem da Lua pela constelação do Touro trar-nos-á mais um evento
astronómico. Desta vez a Lua irá passar tão perto da estrela Gamma Tauri, o
focinho da constelação do Touro, que chegará mesmo a ocultar este astro durante
pouco mais de três minutos. Esta ocultação apenas será visível em Portugal
Continental, tendo início por volta das duas horas e cinquenta minutos da
madrugada de dia 29 (o instante exato do início e final deste evento irá
depender da localização de cada observador).

Finalmente, na
madrugada de dia 30 teremos a oportunidade de vislumbrar Mercúrio ao pé de
Régulo.
Boas
observações!
Fernando J.G.
Pinheiro
(CITEUC)
Ciência na
Imprensa Regional – Ciência Viva
Figura 1: Céu a
sudoeste ao anoitecer de dia 17. Igualmente é visível a posição da Lua nas
noites de dias 7,9, 12 e 15.
 
Figura 2: Céu a
Sul pelas zero horas de dia 28. É visível o radiante a chuva de estrelas delta
Aquarídas e a posição da Lua nas madrugadas de dia 16 e 20.