LIVRO – Alfredo Fonseca lança «Memórias Imperfeitas de um ex-Autarca»

0
4
Como
disse o apresentador do livro, Dr. Arlindo Cunha, um homem que foi membro de
governo e eurodeputado, que agora passa o seu tempo pelos meandros do vinho, da
caça e da pesca, não deixou de exaltar os valores de Alfredo Fonseca, como
autarca e como cidadão, mas sobretudo quando diz que o que escreve no seu livro
“é um autêntico tratado de política prática”, considerando que um presidente de
Junta é um autêntico “João Semana”, trabalho de “alguém que gosta de política,
de um político que sabe tratar com as pessoas, que desenvolve uma autêntica
política local, onde cada um tem que ter disponibilidade para e com as
pessoas”.


«A ingratidão, a calúnia, é algo que tanto vemos
na vida política… bem como as traições na vida partidária…»
No seu livro, Alfredo Fonseca, além de citar as obras
que concretizou durante mais de três décadas ao serviço de S. Pedro de Alva,
como autarca e como líder associativo, sendo de realçar a criação e construção
da escola C+S 18, a
nova sede da Junta de Freguesia, com a pré-primária anexa, o saneamento básico,
a ponte sobre o Rio Mondego para a freguesia de Friúmes, e o trabalho que
desenvolveu na Casa do Povo, também a gratidão foi um espinho que teve de
aguentar, como disse o Dr. Arlindo Cunha, bem como a calúnia, pois “é algo que
tanto vemos na vida política, além da mesquinhez, não falando das traições da
vida partidária». Mas neste sentido, o apresentador do «Memórias Imperfeitas de
um ex-Autarca», citou o cidadão inglês Churchill, em que “os adversários estão
nos outros partidos enquanto no nosso estão os inimigos», lembrando que sempre
lutou por uma causa, que é a causa do mundo rural, lamentando a forma como ele
está a desaparecer. A finalizar, o Dr. Arlindo Cunha classificou Alfredo Fonseca
de “um homem que prestou contas daquilo que fez nos seus trinta anos como autarca”
e por isso “a sua postura devia servir para os políticos como exemplo, no final
de qualquer mandato fazerem o balanço do seu trabalho”.
Outros intervenientes envolveram Alfredo Fonseca com
palavras e frases que enaltecem qualquer cidadão, tanto mais tendo apenas a 4.ª
classe e ter editado seis livros:
José dos Santos Costa Ramos, director comercial
aposentado, e oriundo de S. Pedro de Alva e S. Paio do Mondego, proprietário da
Casa de Mondalva: «Bem-haja pelo que já produziu e permanecerá para a
posteridade, acerca das terras da nossa antiga Casconha»; Eng. Manuel
Estácio Flórido
,
ex-presidente da Câmara de Penacova, com quem contracenou
tantos dissabores e alegrias: «Como homem admiro muito o seu sentido profundo
de família… como associativista convicto… como autarca» e por tudo isto «é do
povo e escreve para o povo, no seu imaginário não existe nem fantasia nem
utopia, enfim, é um homem que ama e escreve com alma»; António Catela,
em representação da União de Freguesias, vincou a personalidade do autor do
livro, como político na política, nas associações e nos meios da escrita,
adiantando que seria bom que antes de serem presidentes de Câmara fossem
presidentes de Juntas de Freguesia, «quando alguns passam pelos fios da chuva e
outros que tudo fizeram, acabam por não ser reconhecidos»; Dr. Humberto
Oliveira
, presidente da Câmara, falou da prestação do autor em prol de S.
Pedro de Alva, quiçá do concelho, que através do livro considerou que Alfredo
Fonseca foi «um político hábil, negociador», com a autarquia municipal, “o
maior político de S. Pedro de Alva depois do 25 de Abril”, e que o seu livro “é
um tratado de política autárquica”; e o Eng. Pedro Coimbra, presidente
da Assembleia Municipal e deputado da Nação, abordaria primei­ro a figura
política incontornável do Dr. Arlindo Cunha, que mesmo fora dela, considerou-o
“um actor importante na valorização do nosso território com empenho e
dedicação”, pois defende a região demarcada do Vinho do Dão e a sua marca, “que
é importante na região centro” e por isso lhe prestou ali “uma homenagem pública”
e sobre o livro de Alfredo Fonseca, que depois de 13 meses de ter lançado o
último livro, nova obra é editada, que “traduz a sua vivência política e de
cidadania, remetendo-nos para uma vida autárquica e pública com mais de 30
anos, em prol das populações e da comunidade”, num tempo em que a luta para
almejar o pretendido era mais difícil do que hoje, isto em termos de
melhoramentos, e considerou que “o municipalismo é nobre, mas o de autarca de
freguesia é o mais importante, que está no seio do povo, reclamando este o seu
empenho e dedicação e por sinal são os que menos recebem pelo seu trabalho em
prol dos seus territórios” e dizendo que “é um excelente exemplo de autarca de
dedicação à freguesia, ao concelho e ao país”, e por isso disse que “é um homem
realizado, é um político de mão cheia e possui um feliz tratado, não esquecendo
o amor que dedica à família que o rodeia” e deu os parabéns ao autor pelo
livro, pela família que tem e pela vida vivida e a que tem”.
Com o prefácio de autoria do antigo colaborador de A
COMARCA DE ARGANIL, Teodoro Antunes Mendes afirma que a determinação de Alfredo
Fonseca “faz dele e continua a fazer um exemplo de vida que ele deixa expresso
neste livro” e faz votos para que continue a dar o prazer da escrita aliada à
de viver junto da sua extremosa família e dos seus muitos e dedicados amigos”.
Alfredo Fonseca, nas suas palavras extravasa toda a
sua estima e consideração por quem ao longo destes anos lhe tem dedicado a sua
estima, e confessa que “se hoje é difícil ser-se presidente de Junta, naquele
tempo ainda era mais, especialmente quando se mendigava à Câmara e se obtinha
uma nega ou o desprezo de quem nela mandava”, pois “de tudo isto provei um pouco,
e se de alguns recebi o carinho que se dá a um filho, de outros recebi o
desprezo que se dá a um enteado”, deixou a nota de que gostava e aconselha que
outros ex-autarcas lhe sigam os passos, escrevendo as suas memórias, “pois
seria um valioso contributo para o enriquecimento da história desta linda
terra” e agradeceu a todos os seus convidados e oradores, bem como a todos que
lhe deram o prazer da sua presença.
E ficou no ar a pergunta: “Alfredo Fonseca, qual o
livro que vem a seguir?” 


José Travassos de Vasconcelos – A Comarca de Araganil