INDIGNAÇÃO – Associação de Utentes do IP3 “estupefacta” com edil de Viseu

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Desde 1999 a lutar pela
«beneficiação profunda do itinerário principal que liga Coimbra a Viseu», a
Associação de Utentes e Sobreviventes do IP3 (Penacova) assume a sua «estupefacção»
perante os «apelos bombásticos» do presidente da Câmara de Viseu, «qual justiceiro
de espada em riste», «desafiando os familiares das vítimas a juntar-se e a
colocar o Estado Português em tribunal».
Sublinhado que ao longo dos anos
tem vindo a propor, com alguns resultados, «intervenções» no IP3, como «a
colocação do separador central em alguns troços, que vieram a minorar os
efeitos trágicos dos frequentes acidentes ali ocorridos», a Associação lembra o
«penoso caminho» que tem percorrido, o «apoio de variados sectores da sociedade
e as «diferentes formas» a que tem recorrido para «sensibilizar os responsáveis
governamentais para a necessidade absoluta de rectificar o traçado,
introduzindo quatro faixas em toda a extensão do IP3, com perfil de
auto-estrada, sem portagens».
Neste percurso «de quase duas
décadas», «nunca demos conta do empenho do senhor presidente da Câmara de Viseu
a favor da reabilitação do IP3, nem da sua solidariedade com as “famílias” das
vítimas”. E os casos trágicos idênticos aos de agora não faltaram nos últimos
quatro anos», refere, em comunicado emitido ontem.
Crítica, a Associação entende que
«aproveitar mais um acidente mortal no IP3, o 36.º em 10 anos, para fazer
política partidária e arvorar-se em paladino da justiça para as vítimas do IP3,
é um acto cínico, eivado de oportunismo, que nem a militância serôdia nesta
causa desculpa». O documento recorda o «anterior silêncio» de Almeida Henriques
sobre esta matéria e lembra que «ele próprio foi recentemente governante, logo,
também, responsável pelas tragédias» do IP3.
Salientando que a solução
proposta pelo edil de Viseu «não é a da beneficiação do IP3, para favorecer as
populações adjacentes e evitar mais vítimas, mas a da construção da dita “Via
dos Duques”», a Associação de Utentes do IP3/A24 assume que essa não é a sua
solução. Antes e sim, «revê-se na posição» da CIM-Região de Coimbra», que, não
obstante reconhecer a necessidade de uma nova via entre Coimbra e Viseu defende
a «urgente reparação e beneficiação do actual IP3, de modo a diminuir os
elevados índices de sinistralidade e a garantir que esta via estruturante para
o país continue a cumprir as suas funções».

Diário de Coimbra