PENACOVA – Município projeta museu dedicado ao pintor Martins da Costa

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O município de Penacova projecta
construir um museu dedicado ao pintor Martins da Costa, falecido em 2005 e que
viveu durante mais de três décadas naquele concelho, disse o presidente da
autarquia. Segundo Humberto Oliveira, o futuro museu vai situar-se no antigo
edifício do tribunal, uma obra estimada em cerca de 400 mil euros, que tem como
finalidade «promover e dignificar a sua pintura e obra».
«A intervenção foi candidatada no
âmbito do Portugal 2020, na área da reabilitação urbana, depois de não ter sido
possível financiamento na reprogramação do Quadro de Referência Estratégico
Nacional (QREN)», explicou o autarca. O projecto está feito e, de acordo com
Humberto Oliveira, pronto para avançar se houver financiamento comunitário,
embora o museu seja para construir mesmo que não existam apoios, embora a
«outro ritmo».
A Câmara de Penacova lança no
sábado o livro “Martins da Costa – Contos Vividos”, constituído
maioritariamente por textos escritos pelo pintor nas décadas de 1980 e 1999,
parte do espólio fotográfico e reproduções de alguns dos seus quadros.
«O objectivo é resgatar a sua
obra, que está um pouco esquecida. Ao vir residir para Penacova, o artista
deixou de circular no meio artístico e perdeu exposição mediática», refere o
jornalista Álvaro Coimbra, coordenador da publicação.
Nascido em Coimbra, em 1921,
Martins da Costa frequentou o curso superior de Pintura da Escola de Belas
Artes do Porto, que concluiu em 1947 com 18 valores e várias distinções
escolares. Radicou-se em Penacova em 1973, onde lecionou desenho na escola
secundária local até à sua aposentação, aos 70 anos, vindo a falecer em 2005,
com 84 anos.
Ao longo do seu percurso
artístico, pautado por viagens de estudo e inúmeras exposições individuais e
colectivas, conquistou vários prémios, entre eles a segunda medalha e a bolsa
de viagem José Malhoa, no Salão da Primavera da Sociedade Nacional de Belas
Artes, em 1946. Foi ainda distinguido com os prémios Armando de Basto, em 1946,
António Carneiro, em 1948, e Henrique Pousão, em 1950. Trabalhou também em
cerâmica, realizando nesta técnica uma decoração para o Palácio dos Desportos,
no Porto, que lhe valeu, em 1956, o prémio da Câmara Municipal desta cidade.
Mas foi na pintura a fresco que mais se notabilizou, com decorações no Palácio
da Justiça, capelas dos colégios Brotero e LusoFrancês, escolas oficiais da
Constituição e Monte Pedral, Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis e os
cafés Embaixador e Garça Real, todas na cidade do Porto, onde também residiu.
O livro tem prefácio do escritor,
investigador e cronista Hélder Pacheco e será lançado no sábado, pelas 18h00,
no Mirante Emídio da Silva, em Penacova, virado para o vale do rio Mondego, um
dos locais de eleição de Martins da Costa.