INCÊNDIOS – Temeu-se pela Mata do Buçaco

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“Um cenário dantesco”, com localidades
cercadas pela “fúria das chamas”. Chegou a temer-se o pior, ao final da tarde
de ontem, na localidade de Várzeas (Luso). No local, Rui Marqueiro, presidente
da Câmara da Mealhada falava de “um cenário muito complicado com o fogo a ameaçar
populações”. Só a intervenção de dois meios aéreos conseguiu dominar a força
das chamas.
“A situação parece ter melhorado,
mas viveram-se momentos de desespero”, adiantou o presidente da autarquia.
Perante a gravidade da situação, o município da Mealhada viu-se obrigado a
acionar o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil, tal como havia
acontecido no concelho de Anadia. Também a Comissão Distrital de Proteção Civil
de Aveiro decidiu ativar o Plano Distrital de Emergência de Proteção Civil em
todo o distrito, “tendo em conta o elevado número de ocorrências e o total
empenhamento do dispositivo operacional do distrito, estando praticamente
esgotadas as suas capacidades de combate e rendição”, bem como a previsível
manutenção das condições meteorológicas adversas”.
Mata do Buçaco em risco
“Estamos a dar o máximo dos
máximos para acudir às situações mais graves. Temos cinco casas prontas para
receber eventuais desalojados. Esperemos que não seja necessário”, afirmou
ainda o líder do município da Mealhada. Ontem, já depois das 18H00, um grupo de
150 bombeiros oriundos da zona de Lisboa chegava ao concelho para render os
colegas que estavam na frente de combate. “Temos um plano para dar apoio
logístico aos bombeiros de fora do concelho que vem reforçar o combate às
chamas, sendo a base deste centro a Escola Profissional Vasconcellos Lebre”,
adiantou Rui Marqueiro.
Também a Santa Casa da
Misericórdia da Mealhada decidiu abrir o hospital durante toda a noite, ficando
de “serviço” ao concelho e aos municípios vizinhos. Uma medida que “pretendeu
auxiliar a população e minimizar os constrangimentos que esta catástrofe tem
vindo a acentuar”. Ao início da noite uma outra preocupação surgia: o incêndio
podia pôr em perigo a Mata Nacional do Bussaco. Autarcas, bombeiros e o
presidente da Fundação Mata do Bussaco reconheciam o perigo de se perder um dos
ex-libris da região e do país.
Ministra pede serenidade
Ontem de manhã, na povoação de
Moita, à margem de uma visita ao posto de comando do incêndio que lavrava em
Anadia, a ministra da Administração Interna pedia “alguma serenidade” ao país.
Contudo, e como diria mais tarde o comandante dos Bombeiros de Ílhavo, “o
pessoal está cansado e à espera de rendições”. Carlos Mouro falava à Lusa ao
final da tarde, altura em que o incêndio de Préstimo, em Águeda, continuava
descontrolado e avançava em direção à sede do concelho.
Infelizmente, o Centro não era a
única região no país a confrontar-se com a destruição provocada pelas chamas.
Um pouco por todo o país, de norte a sul, os bombeiros combatiam numa luta cada
vez mais desigual. As autoestradas A25, A28 e A43, bem como as nacionais 16,
230 e 336 estavam condicionadas. Na Madeira, povoações e bombeiros viveram mais
um dia trágico com as temperaturas e o vento a tornarem inglória a luta de
todos.
Patrícia Cruz Almeida – Diários As Beiras