SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE – Em dia de Homenagem a António Arnaut, governo promete “praticar e desenvolver” o SNS

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A comemoração dos 37 anos do
Serviço Nacional de Saúde (SNS), com a homenagem a António Arnaut, o homem que,
enquanto ministro dos Assuntos Sociais do II Governo Constitucional, liderado
por Mário Soares, foi o seu criador, juntaram ontem, em Coimbra, grande parte
dos responsáveis políticos na área, bem como praticamente todo o elenco
governativo, num Conselho de Ministros exclusivamente dedicado à saúde.

Também António Costa fez questão
de marcar presença na homenagem ao “pai” do SNS, que o primeiro-ministro
considerou “um dos maiores ganhos civilizacionais que a nossa democracia nos
deu”.

A cerimónia, que abriu com a
inauguração de um monumento ao SNS e a António Arnaut, no espaço dos Hospitais
da Universidade de Coimbra – Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
(HUC-CHUC), contou ainda com a apresentação de um eloquente filme sobre a
matéria – “Serviço Nacional de Saúde – o resgate da dignidade” –, e um momento
musical proposto pela Orquestra Clássica do Centro, com destaque para um poema
de António Arnaut musicado por Sérgio Azevedo.

E contou ainda com as
intervenções de António Costa, Francisco George, diretor-geral da Saúde,
Martins Nunes, presidente do conselho de administração do CHUC, Adalberto
Campos Fernandes, ministro da Saúde, e, naturalmente, de António Arnaut, que
agradeceu aos dois governantes “o compromisso político, publicamente reiterado,
na defesa, aperfeiçoamento e consolidação do SNS”.

Afirmando a intenção de estar
presente na homenagem ao Serviço Nacional de Saúde e àquele que é o seu “pai”,
António Arnaut, António Costa deixou na sua intervenção uma posição clara sobre
o que considera ser “um dos maiores ganhos civilizacionais que a nossa
democracia nos deu”.

“Ganho civilizacional”

“Ganho civilizacional, desde
logo, na qualidade e nos ganhos de saúde para o conjunto da população, desde a
redução extraordinária da mortalidade infantil ao aumento da esperança de
vida”, sublinhou o primeiro ministro.

E disse mais António Costa:
“Estes ganhos de saúde e a sua acessibilidade, com equidade, a todos os cidadãos,
é seguramente um dos maiores ganhos que o 25 de Abril tornou possível”. Para o
primeiro-ministro, “a melhor tradução da importância do SNS é que, 37 anos
depois, múltiplos governos passados, múltiplas políticas e prioridades de saúde
depois, há um ponto que é consensual: o SNS permanece, resiste e hoje é um
fator de coesão nacional, mas também de unidade política entre todos. Todos,
hoje, defendemos o SNS. E essa é talvez a sua melhor medida”.

António Costa fez ainda questão
de sublinhar a importância de todos os profissionais da saúde – “nestes 37
anos, o SNS fica a dever-se à dedicação, à qualidade técnica e humana dos
profissionais de saúde, como, aliás, costuma dizer António Arnaut” –, referindo
que, simbolicamente, o Governo quis “assinalar este dia” com um Conselho de
Ministros exclusivamente dedicado à política de saúde. Porque, sublinhou,
“quando defendemos o SNS não basta celebrá-lo, não basta praticá-lo, é necessário
desenvolvê-lo”.

Prosseguir o que há a fazer

E desenvolver o SNS é, para o
primeiro-ministro, “prosseguir aquilo que é ainda necessário fazer: desenvolver
a rede de cuidados de saúde primários, trazendo novas valências, desde a saúde
oral à oftalmologia, mas também os cuidados de saúde continuados, uma
necessidade crescente num país que tem ganho esperança de vida, mas que também
tem ganho novas doenças que exigem novos cuidados”.

António Arnaut agradeceu “o
compromisso político, publicamente reiterado, na defesa, aperfeiçoamento e
consolidação do SNS”, mas não se escusou a deixar sugestões para o seu futuro,
insistindo na necessidade de avançar para a “exclusividade”, à semelhança da
que os magistrados têm. Depois, numa intervenção muito aplaudida por toda a
plateia, onde figuravam alguns dos mais altos e ilustres responsáveis da cidade
e da Nação, deixou uma declaração e um desejo: “daqui a 40 anos podem perguntar
quem é António Arnaut, mas espero que ninguém pergunte o que é o SNS”.
Lídia Pereira – Diário As Beiras