INVESTIGAÇÃO – Equipa da UC descobre novos mecanismos envolvidos na origem da doença rara de Leigh

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Uma equipa multidisciplinar
de cientistas e médicos, coordenada por Manuela Grazina, docente da Faculdade
de Medicina da Universidade Coimbra (FMUC) e responsável pelo Laboratório de
Bioquímica Genética do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC), identificou duas mutações, uma das quais nova, associadas à origem da doença de Leigh,
uma doença mitocondrial rara.
O estudo que conduziu a esta
descoberta foi realizado, ao longo de quatro anos, com dois doentes seguidos no
Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).
Em concreto, os
investigadores identificaram «um défice
enzimático da COX (Citocromo Oxidase) e alterações genéticas do gene SURF1, uma
das quais descrita pela primeira vez neste trabalho, permitindo, assim,
identificar a origem da doença nestes dois casos, até agora desconhecida. Um
dos doentes é referenciado como o doente vivo com mais idade, afetado com a
doença de Leigh
», expõe Manuela Grazina.
A cientista da UC esclarece
que «as mutações no gene SURF1 são uma
das causas mais frequentes desta doença. A proteína SURF-1, codificada por este
gene, tem uma função essencial na “montagem” (assembly) das várias subunidades que constituem o complexo
enzimático IV da cadeia respiratória mitocondrial (CRM), também denominado Citocromo
Oxidase (COX). Este processo é crucial no posicionamento correto dos
componentes proteicos de modo a que a produção de energia ocorra de forma
adequada
».
Os resultados deste estudo,
publicado na revista científica “Mitochondrion”, são um contributo importante «para compreender melhor a origem da doença
de Leigh, uma doença mitocondrial rara, que surge na infância. As mutações
agora descobertas são mais uma peça do puzzle porque já foram descritas
mutações genéticas associadas à doença, em mais de 20 genes diferentes
(nucleares e mitocondriais)
», observa Manuela Grazina.
A doença de Leigh é uma
doença neurodegenerativa progressiva. Os doentes apresentam lesões bilaterais
focais, em uma ou mais áreas do sistema nervoso central, incluindo tronco
cerebral, tálamo, gânglios da base, cerebelo e medula espinhal. A esperança de
vida destes doentes é geralmente curta.
Legenda da imagem em anexo: da esquerda
para a direita: Marta Simões, Manuela Grazina, Carolina Ribeiro e Maria João
Santos.

Cristina Pinto – Universidade de Coimbra