ENTREVISTA – Fernanda Veiga fala sobre a evolução de Penacova e das novidades que irão surgir no ano que se avizinha

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Fernanda Veiga é
vereadora do Município de Penacova com a tutela da Cultura, do Património, do
Associativismo e do Turismo. É da freguesia de Lorvão e algumas das suas
características mais marcantes são a capacidade organizativa, a forma como motiva
os seus colaboradores, 
a simpatia, a energia, a
gestão criteriosa, o amor ao Concelho de Penacova e a disponibilidade para as
causas públicas.
Hoje fala um pouco sobre
a marca que imprimiu na Cultura 
do Concelho mas também na
visão do Executivo para a Regeneração Urbana, que irá operar-se em Penacova.
Foi 
justamente por aí que
iniciámos esta entrevista.



Caminhamos por este
País fora e vemos muitos centros históricos degradados, espaços descuidados e
pouca intervenção urbana. E quanto a Penacova?
Nas últimas décadas o
Município não acautelou nem teve a visão que o conduzisse à implementação de medidas
estruturadas e sustentáveis para intervir simultaneamente ao nível da dignidade
da estrutura urbana, do valor do património, do abandono populacional e na
conquista de uma atractividade moderna, equilibrada e pensada para as pessoas. Quando
este Executivo tomou posse, algo que nos causou alguma perplexidade foi o facto
de o Município ser desde há muitos anos associado da AMCH (Associação
Portuguesa dos Municípios com Centro Histórico) e nunca até então se ter
debruçado sobre este tema com um plano estratégico.
Os cidadãos
manifestam essa inquietação?
O Município de
Penacova comunga das preocupações gerais dos Munícipes para com a degradação do
seu património e, consequentemente, a desertificação dos centros históricos.
O Centro de Penacova
está renovado, o estacionamento foi resolvido com menores custos e sem impacto
na paisagem, o espaço para usufruto dos cidadãos aumentou, o tribunal não saiu
do Concelho e foi instalado com aproveitamento de uma antiga escola primária…
A intervenção no
património edificado, conservação e reabilitação continua para nós a ser
urgente. Contudo, essa intervenção é de tal forma preponderante e impactante
que deve ser sempre precedida de um plano estratégico que integre o espaço
público e o privado, equipamentos, e uma adequada leitura tendo em conta a
história patrimonial.
O que está a ser
feito nesse sentido?
Depois da aprovação
da primeira revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), criámos as condições necessárias
para esse plano estratégico de intervenção 
urbana.
Quais os objetivos
traçados no relatório do PDM?
O relatório afirma,
quanto aos seus objetivos, ser determinante a fixação da população de acordo
com as necessidades sustentáveis de desenvolvimento, 
dando-lhes condições
de habitabilidade através da melhoria da acessibilidade e da implantação das infraestruturas
básicas e equipamentos coletivos. Mas aborda também questões como a conservação
da natureza, velando pela salvaguarda e proteção das paisagens e sítios, dos
ambientes naturais e dos valores culturais, sendo para isso necessário fazer
uma boa gestão dos recursos naturais.
Perante estas
propostas do PDM, o que decidiu o Município fazer?
Como disse, quando
iniciámos a nossa gestão não há tempo a perder para vencermos o atraso com que
nos confrontámos. Vencemos já algumas lutas importantes. Lembro que deixámos de
ser apenas notícia pelos acidentes no IP3, como outrora acontecia, e passámos a
ser conhecidos por aquilo que somos e por aquilo que temos. Mas é preciso
continuar a reforçar a centralidade de Penacova na Região Centro. Por isso
avançámos com a proposta da Regeneração Urbana. Mas quisemos ir mais além, e
achámos que esta proposta devia incluir os centros históricos de Penacova,
Lorvão e S. Pedro de Alva.
É um plano arrojado…
O nosso objetivo
passa também por operacionalizar um Plano de Ação de Regeneração Urbana (PARU),
tendo em vista incentivar processos de requalificação urbana, criar e
qualificar o emprego, ter mais e melhores condições industriais e empresariais,
aumentar e melhorar as condições de apoio e suporte à prática turística, cuja
atratividade deve ser promovida quer por Penacova mas também na rede em que se
insere, como a Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, preservar
património imaterial mas também o natural e os edifícios históricos, fomentar a
cultura…
Falemos então da
concretização destes projetos…
Sendo nosso desígnio
articular o desenvolvimento económico e social de uma forma sustentada e
estando abertas as candidaturas no Programa 2020 só para as sedes concelhias,
obviamente que o nosso trabalho sobre esta reabilitação desenvolveu-se mais na
Vila de Penacova, para aproveitarmos os financiamentos, estando neste momento
aprovadas as candidaturas no valor global do FEDER de 1.289.000,00 euros, para
três projetos.
Que projetos são
esses?
O primeiro, a lançar
concurso já em janeiro de 2017, é relativo ao Parque Municipal (Ténis). O
segundo, está em fase de elaboração de projeto e refere-se ao Parque António
Marques (Parque Verde). Em terceiro lugar, a reorganização do projeto do Antigo
Tribunal, de modo a acolher o Salão Nobre dos Paços do Concelho e o Centro de
Artes Martins da Costa.
Esta é a primeira
fase, e a seguir…
Numa segunda fase
teremos a tão falada ligação ao Rio. Esta ligação constitui uma oportunidade
única de potenciar o desenvolvimento turístico, um dos grandes constrangimentos
desse desenvolvimento consiste na barreira que existe entre a vida urbana da
Vila e o Rio Mondego, que, como todos sabemos, a sua história está intrinsecamente
ligada à criação da Vila de Penacova.
Há especialistas a
trabalhar nisto…
A equipa incumbida da
elaboração deste plano é liderada pelo Arquiteto Reis e Figueiredo. Esta equipa
tem larga experiência em reabilitação e estratégia urbana, sendo ainda apoiada
por uma equipa de engenheiros bastante conceituada.
Há vantagens para os
Munícipes? Será para eles uma boa oportunidade?
Este programa de
reabilitação urbana tem diversos incentivos fiscais e outros. Para um melhor
esclarecimento das populações, o Município, em conjunto com a equipa técnica,
vai no início de fevereiro de 2017 promover sessões de esclarecimento de forma
a informar e a dirimir todas as dúvidas. O calendário é o seguinte: no dia 3 de
fevereiro, em S. Pedro de Alva. No dia 10 de fevereiro, 
em Penacova. E no dia
17 de fevereiro em Lorvão.
O que deseja para o
Concelho neste Natal e para o próximo Ano Novo?
Desejo essencialmente
Paz e Concórdia entre todos os Penacovenses. Para o próximo ano e seguintes
desejo que continue o caminho traçado por este Executivo, que é do
desenvolvimento sustentado e coeso entre a sede de Concelho e todas as
Freguesias, e que não haja reversão neste desígnio que sustentada e
paulatinamente temos conseguido.
Sente satisfação
quando elogiam a qualidade cultural de Penacova?
Sinto sobretudo o
reconhecimento pelos colaboradores que temos e pelo merecimento dos agentes,
como associações e grupos. Quanto a mim, mantenho a humildade e procuro dar o
meu melhor. As pessoas é que devem ajuizar…
Mas que ecos são
dados?
É conhecido e
reconhecido por todos os Penacovenses que a Cultura em Penacova está ao nível
de qualquer bom Concelho da Região. Apesar de a nossa acção ter apenas sete
aninhos, podemos comparar a nossa atividade cultural de muitas maneiras. Por
exemplo, ao nível dos utilizadores da Biblioteca Municipal, observando o nosso
fundo documental de 2009, que tinha apenas 4.000 livros, passou para os 22.000
livros em 2016. Ou os 20.868 utilizadores da Biblioteca, fruto do dinamismo que
nos tem caracterizado. Isto e muito mais podem os nossos Munícipes encontrar no
Site da Rede de Bibliotecas de Penacova.
Penacova tem vindo a
destacar-se ao nível económico e financeiro, mas também cultural…
O projeto “Memórias
de Penacova” é um exemplo disso, sim. Em 2016 fomos à fase final da candidatura
de “Município do Ano”. Os palitos foram reconhecidos como património Cultural
Imaterial de Portugal. Vimos em 2015 o livro do Apocalipse ser reconhecido pela
UNESCO como Património Imaterial da Humanidade. No início de 2017 também daremos
mais um passo importante no serviço de apoio à Comunidade, com a Bibliomóvel.
Para se saber como
estávamos antes e como estamos hoje, é preciso ter dados concretos e fazer
comparações…
Sim, não podemos
afirmar coisas vazias. Podemos comparar a programação contínua do Centro
Cultural, podemos comparar a programação do Mosteiro de Mosteiro de Lorvão,
podemos comparar, por exemplo, a Feira do Mel e do Campo que temos feito, com o
magusto de 2008… Já não podemos é comparar as Festas do Município, pois éramos
o único Concelho na Região que não tinha esse encontro importante de alegria e
confraternização entre todas as freguesias e associações.
E quanto à divulgação
gastronómica?
Também os festivais
gastronómicos foram alargados de modo a promover outros produtos endógenos para
além da lampreia. Temos os sabores do rio, os míscaros e sarrabulho e, durante
dezembro, o cabrito e a chanfana.
O Município tem vindo
a explorar a fileira do Buçaco…
Criámos o grande
projeto dos Caminhos da Batalha do Buçaco. Este é um projeto
turístico-cultural, que já tem a sua marca consolidada e, com as parcerias que temos
com os Municípios de Mortágua, Mealhada, mas também com a Fundação Mata do
Buçaco, assim como com as empresas ligadas ao Turismo, teremos muitos turistas
com interesse nesta parte da nossa história, aliada às paisagens magníficas que
foram
palco destes
acontecimentos em 1810.
O Município tem em
carteira a dinamização dos seus espaços com vocação museológica…
Depois da aquisição,
há dois anos, da casa que foi de António José de Almeida, que hoje é
propriedade do Município, e que estamos a iniciar a recuperação, e também após
a excelente obra feita no Museu-Moinho Vitorino Nemésio, caminhamos para, no
futuro, termos a rota dos nossos museus do Concelho, onde podemos incluir
outras temáticas como os Fornos da Cal, a Casa da Freira, reativando aquela casa
alusiva ao Rio Mondego, o extraordinário património de Lorvão…
Em que pé está o
Museu de Lorvão?
É nosso objetivo
inaugurar o Museu de Lorvão em 2017. Depois de concluído em 2013, este espaço Museológico
continua fechado. O Município contemplou no seu orçamento para 2017 verba para
fazer face não só à musealização do espaço como para criar
condições de
acessibilidade ao museu e à própria igreja. Estamos a estabelecer protocolos
com a Diocese de Coimbra e Paróquia de Lorvão para, em conjunto, trabalhar todo
o acervo que vai fazer parte da Musealização. A par disso, temos também concluída
e aprovada pelas diversas entidades a regeneração do espaço público da Vila de
Lorvão, condição essencial para que todo o conjunto tenha a atratividade digna
do grande e maior monumento do Concelho de Penacova.
Uma obra marcante e
de sucesso prende-se com a Escola de Artes de Penacova…
Este projeto, que
conta com um grande esforço financeiro do Município, é um dos grandes investimentos
que o setor público pode fazer. Estou certa de que, se não for interrompido,
dentro de cinco anos dará um enorme orgulho aos penacovenses. Hoje, os jovens
de Penacova podem dizer, onde quer que estejam, que têm as mesmas oportunidades
de seguir a sua carreia musical e artística, ou até melhores, do que qualquer
jovem de Coimbra, Porto ou Lisboa. É um facto indesmentível. É um orgulho para
todos e merece o nosso apoio.
É uma maneira de
estar…
É com estas apostas
no nosso potencial humano que queremos estar, sem vaidades mas em igualdade e
capacitação, com aqueles que no futuro profissional e pessoal nos teremos
forçosamente de cruzar.