PORTUGUESES NO ESTRANGEIRO – Cientistas no mundo são embaixadores de Portugal

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O Presidente da República
considera que o papel dos cientistas e investigadores portugueses no mundo é de
embaixadores, particularmente qualificados. «É uma evidência», realçou ontem
em Coimbra Marcelo Rebelo de Sousa, ao intervir no 5.º Fórum Anual da GraPE
(Graduados Portugueses no Estrangeiro), acrescentando que esta nova mobilidade
qualificada tem «responsabilidade» acrescida, que funciona como «um factor
decisivo para o futuro de Portugal».

«Ser embaixador é funcionar nos
dois sentidos: trazer para Portugal o que há de melhor onde se desenrola a
vossa actividade e, por outro lado, levar para esses países o que Portugal é
hoje e o que quer ser no futuro», frisou, ao dirigir-se aos graduados. Numa
palavra de «esperança» e de «confiança» aos cientistas portugueses que andam
pelo mundo, Marcelo Rebelo de Sousa não tem dúvidas de que são um «exemplo» e
portadores de qualificação de «prestígio internacional».

Numa análise à situação actual de
Portugal e do mundo, o Presidente considera que neste momento se assiste a «uma
verdadeira revolução» e, nesta matéria, o nosso país tem «trunfos estratégicos»
ou não estivesse habituado a estar presente em «muitos universos da diáspora».
Aliás, para o chefe de Estado, esta presença no mundo terá sido decisiva para a
eleição de António Guterres como secretário-geral das Nações Unidas.

Por outro lado, neste contexto de
mudança, que coincide com «novo ciclo da vida internacional», com «uma vivência
diferente com a administração norte-americana», uma Europa que precisa de se
definir ou o protagonismo diferente no relacionamento com a federação russa,
Marcelo Rebelo de Sousa prevê que a missão de António Guterres será «bem
difícil».

Com a certeza de que, ainda
assim, relativamente ao futuro de Portugal, existem «pontos positivos muito
superiores aos obstáculos», o Presidente da República lamentou que a justiça
continue a ser «um problema», sobretudo nas áreas especializadas.

«Uma justiça lenta é um travão
enorme» que condiciona sectores económicos, sociais e até culturais, alertou,
não colocando em causa a qualidade dos profissionais. A justiça «não é um
domínio irrelevante numa sociedade que se quer diferente», reforçou, ao deixar
o exemplo de que, ainda por estes dias, promulgou um diploma legal sobre o mapa
judiciário, que se trata de uma segunda reforma em menos de cinco anos.
O reitor da Universidade de
Coimbra afirmou ontem que um dos grandes problemas do país não é a fuga de
cérebros portugueses, mas a reduzida capacidade de atrair outros para Portugal.

Há uma dificuldade do país em
atrair cérebros, «quer dos portugueses que foram para fora, quer de pessoas de
outras nacionalidades», notou João Gabriel Silva, que falava durante a sessão
de abertura do 5.º Fórum Anual de Graduados Portugueses no Estrangeiro (GraPE),
que decorreu no auditório da Reitoria.

Para o reitor da Universidade de
Coimbra, é fundamental que Portugal adquira «capacidade de fixar e de atrair
muitos dos portugueses que estão actualmente no estrangeiro», visto que o
desenvolvimento do país depende do conhecimento.

Mas, para que isso aconteça, não
depende «apenas do reconhecimento dessa necessidade», mas também «de recursos
para o poder fazer», continuou.

Dirigindo-se para uma plateia
onde estavam presentes investigadores e cientistas portugueses que trabalham no
estrangeiro, João Gabriel Silva sublinhou que Portugal «e o seu futuro vai
depender da contribuição que os novos estrangeirados queiram e possam dar ao
desenvolvimento do país». Ainda durante a manhã, numa sessão sobre mobilidade,
o sociólogo Pedro Góis referiu que não concorda com a expressão fuga de
cérebros. Na sua opinião, há uma «barreira que foi derrubada» com a saída para
o estrangeiro, com os portugueses a provarem que «são capazes de vencer lá
fora».
Reitor considera que fuga de cérebros não é mau

O ministro da Ciência afirmou
ontem em Coimbra que relatórios mostram que a passagem das universidades a
fundações é positiva, mostrando-se «confiante» no casos que já existem em
Portugal de universidades que optaram pelo regime fundacional.

«Hoje temos a certeza que [o
debate da transformação de universidades em fundações] é um debate muito
positivo, face à transição para o regime fundacional. Devemos estar confiantes
nos casos que temos e nos casos que poderão vir», referiu o ministro da
Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, que falava aos
jornalistas à margem do 5.º Fórum Anual de Graduados Portugueses no Estrangeiro
(GraPE).

O membro do executivo sublinhou
que os relatórios na posse do Governo mostram que o regime fundacional «é uma
forma muito positiva», vincando que outros países europeus que usam o regime
fundacional encaram-no como «uma forma particularmente importante para reforçar
a autonomia das instituições académicas e científicas».
Ministro vê com bons olhos regime de fundação
O ministro informou que entregou
ontem «essa matéria ao Conselho Coordenador do Ensino Superior», que tem uma
comissão que está a analisar o regime jurídico, para se dar capacidade para as
universidades terem «um regime fundacional também como um exemplo de dignificar
o ensino superior».

«É uma tendência na Europa de
validar e credibilizar a autonomia das instituições científicas, dando nalguns
casos específicos a capacidade de deter um regime próprio de contratação»,
notou Manuel Heitor.

Integração de portugueses é um bom caso de estudo

No GraPe participou também o
ministro dos Negócios Estrangeiros, que defendeu que a integração dos
portugueses em países estrangeiros, nomeadamente na Europa, é um bom caso de
estudo. «A integração das comunidades portuguesas nas respectivas sociedades de
acolhimento, quer na Europa, quer nas Américas e em África, mas sobretudo na
Europa, é um caso exemplar que deveria ser estudado, num momento em que nós nos
confrontamos tanto com problemas de integração e de relacionamento entre
nacionais e estrangeiros por essa Europa fora», disse Augusto Santos Silva, à
margem do fórum.

Patrícia Isabel Silva – Diário de Coimbra