Que o progresso se mantenha

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Neste último dia do ano, desejo-vos um 2017 tão bom ou
melhor como o 2016. Não estou a ser demasiado otimista, apenas faço votos para
que o melhor do ano que agora acaba, seja o pior do ano que lhe sucede.


Em jeito de retrospetiva, sou da opinião que, ao contrário
do que vaticinaram alguns ilustres penacovenses, nem tudo correu assim tão mal
neste ano de 2016. Não tenho dúvidas em afirmar, e acho que ninguém de bom
senso as terá, em considerar que os indicadores que classificam Penacova em
todas as vertentes possíveis a colocam muito melhor do que se encontrava há dois anos, e melhor ainda do que a colocavam há sete ou oito anos.

Atualmente não nos encontramos na cauda do distrito, tal
como nos encontrávamos nos idos de 2007, 2008 ou 2009. Estamos mais competitivos,
mais hospitaleiros, temos melhores infra-estruturas, melhor desporto, melhor
justiça, melhor ensino, melhores acessibilidades e instituições que prestam um
melhor serviço ao cidadão, já que aumentaram a capacidade de resposta aos
problemas que o afetam diariamente.

Culturalmente temos vencido sucessivas batalhas. Direi até
que este foi o setor em que atuação do município mais se destacou. Graças ao
desempenho das e dos responsáveis pela área, recuperámos a imponência no órgão
de tubos do mosteiro de Lorvão, conseguimos colocar o Apocalipse de Lorvão na
Memória do Mundo da UNESCO, patamar a que por inerência já pertencia, e ainda
assistimos à inscrição no
Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, dos «Conhecimentos
tradicionais, de caráter etnobotânico e artesanal, utilizados no processo de
produção de palitos», prática ascentral do nosso povo e que tão bem nos identifica.

A opção pelo desporto da natureza e o lançamento da marca “Penacova Natura” foi outra aposta mais do que ganha pelo município. Para além da
inovação, projetou o concelho para além fronteiras, colocando-o no mapa dos
vários circuitos com capacidade para acolherem provas de importância nacional e
internacional, tendo até sido escolhido para a implantação do primeiro centro de trail do conhecido ultramaratonista Carlos Sá.

Turisticamente, a praia fluvial do Reconquinho tem sido um
dos melhores cartões de visita do nosso concelho. A qualidade das suas águas,
aliada às melhores acessibilidades e à prática de várias atividades aquáticas,
têm constituído um dos maiores trunfos deste executivo camarário na captação de
turistas para a nossa praia fluvial, uma das melhores da região e do país.

A restauração está, finalmente, no bom caminho. Após anos de
práticas económica e politicamente erradas na relação entre aquele que detém
o espaço e aquele que o quer explorar, podemos dizer finalmente, que a partir
de agora, quem se quiser abandonar a relação contratual que tem com o município, poderá fazê-lo
sem comprometer a rápida entrada em funcionamento do espaço que deixou de lhe interessar,
já que nada mais tem para além do direito de o utilizar. Só a simples alteração
desta regra, que vinha sendo prática habitual no relacionamento do município
com os empresários que pretendiam explorar os espaços de sua propriedade, irá
impedir que os penacovences e quem visita Penacova fiquem privados daquilo que
é mais elementar num concelho que se pretende cada vez mais turístico.

Tudo isto poderá não ser
suficiente, sobretudo para aqueles que consideram nada ter evoluído no nosso
concelho e que por isso mesmo, almejam regressar aos tempos em que tudo aquilo que
poderia significar progresso, ficava perdido nas gavetas dos gabinetes de quem
poderia (e deveria) decidir.

Claro que nem tudo está bem,
mas não é justo afirmar que tudo continua na mesma, que não existe diálogo e
afetos, que vivemos num concelho onde impera despotismo desenfreado e onde
todos tememos o dia de amanhã por não confiarmos nas boas intenções de quem dirige
os destinos do nosso concelho. O que acontece, a meu ver, é que, quanto mais
temos, mais exigentes nos tornarmos. É assim que funcionamos como seres humanos
dotados de espírito crítico. Habituados que estávamos à falta de um progresso
que nos colocava numa posição pouco competitiva relativamente aos demais
concelhos da região, vemo-nos envolvidos em todas as frentes com grande vontade
de nos destacarmos e, nessa permanente necessidade, é fácil descurarmos algo que,
por vezes, se situa mesmo em frente aos nossos olhos.

Para 2017, desejo que se
resolva a questão do Mosteiro de Lorvão, há poucos dias inserido na lista de
monumentos disponíveis para ser adquirido por privados, na expetativa de que
eles consigam fazer daquele secular monumento aquilo que o Estado admitiu não
ter conseguido.

Desejo também que se acabe, de
uma vez por todas, com a questão do Hotel Penacova. É inadmissível que permaneça
no estado de abandono em que se encontra, muito por culpa de alguns que agora
se apresentam aos penacovenses como detentores da cura para todas
as doenças de que Penacova padece, esquecendo-se de assumir que a sua atuação
(ou omissão) durante anos, foi determinante para que o problema se acentuasse.

Desejo ainda que a Escola de
Artes de Penacova se continue a afirmar como o expoente máximo da cultura no
nosso concelho e que consiga manter a qualidade e o ritmo a que nos habituou,
pois a sua existência é fundamental para o desenvolvimento pessoal e coletivo de
todos os que a frequentam.

Por fim, desejo que este
ciclo desenvolvimento estratégico se mantenha com os mesmos protagonistas e que todos se identifiquem com a
vontade de progredir no sentido de nos tornarmos num concelho onde a qualidade
de vida nos faça gostar ainda mais de nele vivermos e convivermos, sem esperar
algo de novo por parte de alguns profetas da desgraça, que apenas olham para o
poder como parte de um projeto de ascensão pessoal há muito gizado, que em nada os dignifica e que apenas expõe a suas fragilidades.



Pedro Viseu