TRADIÇÃO – Grupo Etnográfico de Lorvão revive os Cantares do Ciclo Natalício

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No próximo dia 8 de janeiro, pela 15:30 horas, vai ter lugar
na Igreja Mosteiro de Santa Maria de Lorvão, o XIX Encontro de Cantares do Ciclo
Natalício.
O Evento, organizado pelo Grupo Etnográfico de Lorvão, conta este
ano com a participação do Grupo Ass. Divulgação Tradicional de Forjães
(Esposende), do Rancho Etnográfico de Santa Maria de Touginha (Vila do Conde) e
do Rancho Etnográfico de Santiago de Bougado (Trofa)
Aproveitando o convite feito pelo
Penacova Actual*, os responsáveis pelo Grupo Etnográfico de Lorvão efectuaram uma recolha junto de
pessoas fidedignas, com muitos anos de história, capazes de reproduzir com
credibilidade as tradições desta época natalícia.

Através dessa recolha, foi possível
elaborar um texto, integralmente transcrito das palavras da Sr.ª
Maria Prazeres Simões, que aqui se reproduz com o objectivo de divulgar
e preservar uma tradição de séculos.

Resta-me agradecer a colaboração e a
disponibilidade de imediato prestadas pelos responsáveis do Grupo Etnográfico
de Lorvão, e desejar a todos uma Quadra Feliz, como muito sucesso para mais um
“Encontro de Cantares do Ciclo Natalício”.
Logo que começava Dezembro ouviam-se
nas ruas as pessoas que estavam nas suascasas a fazer os palitos e a cantarem
os cânticos ao menino, fazendo lembrar que o natal vinha perto.

Na véspera de natal as pessoas faziam
“filhoses”, que normalmente só se faziam nessa época. Não havia mais doces além
destas.
No que diz respeito às árvores de
natal só existiam nas casas de baile porque nas casas onde se vivia não havia.

Mais tarde quando se começou a ouvir
falar do sapatinho na lareira, como não havia o que dar, as mães punham num
paninho uma filhós e colocavam-na no sapato.

Se havia uma galinha muito bem. Se
não, era toucinho, às vezes dado por alguém que tinha um porquito, para se
fazer uma sopa de grão, isto para os mais pobres.

O fatinho novo não faltava no dia de
natal, tudo primava em ter um fato novo e os xailes bonitos para ir “estriar” à
missa. Podia não haver para comer, mas para um fato novo ou um fio de ouro, as
pessoas de Lorvão passavam sacrifícios… Em Lorvão, havia pessoas mais
abastadas, é certo, mas, as mais pobres eram também vaidosas e alegres.

À noite ia tudo para a bailação,
divertir-se tanto quanto possível, até altas horas da manhã.

Os cânticos natalícios têm séculos de
história em
Lorvão. Eram
 cantados nas novenas
que se faziam ao menino Jesus e às quais acorriam muita gente, para rezar e
cantar ao menino, durante nove dias antes do Natal, junto ao altar da Sagrada
Família, no mosteiro de Lorvão.

Nos dias de Natal, Ano Novo e Reis
fazia-se o cortejo das oferendas (fogaças) ao menino Jesus, vindo do “coro”
(Cadeiral do Mosteiro) até ao presépio, indo beijar o menino no fim da
celebração da missa.

Eram leiloadas as ofertas ao menino
Jesus, no largo do mosteiro, cujos valores dessas oferendas revertiam a favor
da igreja.

O “cantar as janeiras” ou “tirar as
janeiras” como se dizia em Lorvão, eram cantadas de 31 para 1 de Janeiro, de
porta em porta, dando os vivas às pessoas de cada casa.

Levavam candeias e lampiões, para
poderem ver o caminho, dado que antigamente não havia luz nas ruas.

Às costas um saco, onde colocavam as
dádivas recebidas, nomeadamente, toucinho, chouriço e morcelas. De quando em
quando, lá iam “caindo” também uns tostõezitos, que no fim eram divididos por
todos.

Havia casas que não tinham nada para
dar. Apagavam a luz para pensarem que já dormiam…então, os cantadores
“mandavam” estas quadras:
“Esta casa cheira ao alho, aqui mora
algum bandalho”

“Esta casa cheira ao unto, mora aqui
algum defunto”.´
Grupo Etnográfico de Lorvão
*Este
texto foi inicialmente publicado neste site a propósito do XII Encontro de
Cantares do Ciclo Natalício, que se realizou no Mosteiro Santa Maria de Lorvão
no dia 27 de Dezembro de 2009

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