SAÚDE – Novos médicos de família em formação na região

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Cerca de uma centena de médicos
iniciam este mês o internato da especialidade de Medicina Geral e Familiar
(MGF) em unidades de saúde da região Centro. Estarão prontos a ser médicos de
família em 2021, precisamente um ano em que estão previstas 106 aposentações.
No entanto, a previsão é para, em poucos anos, existir um excesso de médicos
nesta área, a nível nacional.

Na recepção realizada ontem, no
auditório da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, Rui Nogueira,
coordenador do Internato de MGF na região, revelou que houve um aumento de 30%
nos ingressos na especialidade e que o futuro só pode passar por descer o
número de vagas.

«Estamos a atingir níveis que não
são comportáveis», referiu na sessão, sustentando que «a partir de 2023, e
durante anos, o número de aposentações será residual». Aos jornalistas, o
responsável adiantou ainda que a região Centro «está no limite da capacidade
formativa e já se notam alguns constrangimentos». «Não temos capacidade, nem
necessidade de formar tantos especialistas em Medicina Geral e Familiar»,
declarou.

Da carência ao excesso

Rui Nogueira acredita que, tal
como prometeu, o ministro da Saúde vai conseguir dar médico de família a todos
os portugueses até ao fim do seu mandato. «Não região Centro, faltavam cerca de
60 médicos. Em 2017 e 2018 a situação vai ser controlada», disse à margem do
acolhimento aos novos internos, notando que as maiores carências nacionais
estão em Lisboa e Vale do Tejo.

O problema será ter licenciados
em medicina que não terão lugar para fazer a sua formação específica ou
especialistas em MGF sem colocação no Serviço Nacional de Saúde. Sobre este
último, o coordenador do Internato diz que «as necessidades têm de ser
mapeadas» e que «as listas de utentes [por médico de família] redimensionadas em
função do contexto de exercício» médico. Durante anos «absorvemos doentes em
esforço, porque era preciso, agora vamos ter de aliviar», sustentou.

Os médicos de família podem
acolher até 1.900 utentes no seu ficheiro clínico. «A média rondará os 1.500 utentes,
mas há colegas com mais de dois mil», avançou.

Na sessão de ontem, o presidente
da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, voltou a
alertar para a «falta de condições mínimas em muitos centros de saúde», com
carências desde «medicação básica a equipamentos para diagnóstico simples». O
presidente da Administração Regional de Saúde do Centro, José Tereso pediu
«humanização» nos cuidados prestados ao doente.

Andrea Trindade – Diário de Coimbra