LORVÃO – Mosteiro acolhe “Serões no Feminino”

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As Santas Rainhas, Teresa e
Sancha são as “inspiradoras” do projecto que amanhã arranca no Mosteiro de
Lorvão. São os “Serões no Mosteiro de Lorvão, no feminino”, um programa que se
prolonga até finais de Maio, sempre na última sexta-feira do mês. Há oradores
convidados e música para ouvir, numa tertúlia promovida pela Câmara de Penacova
e Paróquia de Lorvão.

A vereadora Fernanda Veiga,
responsável pela Cultura, é uma entusiasta do projecto. A ideia surgiu,
explica, «da força da vida e da obra das Santas Rainha, do seu carisma, da sua
dimensão espiritual, mas também do seu exemplo como mulheres». Uma referência
enaltecida, adianta, pelas recentes afirmações do Papa Francisco, em «nome do
respeito pela mulher e pelos seus direitos».

A autarquia, em “conversações”
com o pároco João Paulo, entendeu que era importante «dar a conhecer essa
vertente das Rainhas Santas, nomeadamente de Santa Teresa», diz Fernanda Veiga,
recordando que a hagiografia de Teresa de Portugal relata «o equilíbrio
exigente entre a vida profissional, a vida familiar, a participação social e
política como uma tarefa própria para os heróis das virtudes». A resposta foi
promover estes serões, para falar sobre «a mulher e o “seus lugares”».

«Não queremos fazer serões no
feminino, mas para toda a família», contando com a colaboração de cinco
mulheres que «nos vão ajudar a reflectir sobre o papel da mulher» nos
diferentes “mundos”. A cada sessão está associado um tema, tendo como traço
comum a mulher – na família, na política e no trabalho, na sociedade, na igreja
e na cultura – bem como momento musical e espaço para trocar ideias.

O programa começa amanhã, com o
tema “A Mulher na família”. O encontro tem início às 21h00 e a convidada é
Margarida Miranda, professora da Faculdade de Letras da Universidade de
Coimbra. O momento musical está a cargo do Coro Essence Voice.

Zita Seabra é a convidada para o
serão de 24 de Fevereiro. Uma mulher com uma vivência política singular, com
larga experiência como deputada, hoje empresária editorial, que «virá
enriquecer os nossos serões com a sua visão da “Mulher na política e no
trabalho”. O organista João Henriques e os “sopros” da Filarmónica Boa Vontade
Lorvanense, dão a nota musical da noite.

Março, 31, o serão conta com
Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, que traz uma «ampla
experiência em termos sociais» e «uma visão muito própria» do papel da “Mulher
na Sociedade”. João Henriques vai chamar a música, com o órgão histórico.

A cantora Teresa
Salgueiro encerra
este ciclo de Serões
no Mosteiro,
no dia 26 de Maio

“A Mulher na Igreja” é o tema do
serão de 28 de Abril. A irmã Inês Vasconcelos, assistente na Capelania do
Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, é a convidada, com a Escola
Diocesana de Música Sacra a garantir o momento musical.

O ciclo de serões no Mosteiro de
Lorvão, sempre com início às 21h00, termina a 26 de Maio com Teresa Salgueiro.
“A mulher na cultura” é a visão de mundo que a cantora vai trazer, abarcando
mais um “ângulo”, dos muitos e diferentes de ver a mulher.

«Pretendemos uma abordagem aos
diferentes “mundos” onde a mulher pode estar e está, sem deixar de ser
feminina, sem deixar de ser mãe, sem deixar de ser mulher», conclui Fernanda
Veiga. Para a vereadora, esta é, também, uma oportunidade para visitar e
conhecer o Mosteiro de Lorvão e o seu património único. «Estamos a trabalhar na
musealização», adianta, confiante que, «ainda este ano o museu possa abrir ao
público».
Amanhã, a tertúlia inclui a
apresentação do filme promocional do Mosteiro de Lorvão.

Trata-se de um documento que o
município vai divulgar e que dá a conhecer a história e a vida do Mosteiro e a
forma como essa vivência “transbordou” para a própria sociedade lorvanense.
Fernanda Veiga exemplifica com a arte dos palitos, um trabalho artesanal das
freiras, que ultrapassou as portas do mosteiro e hoje continua.

O documento testemunha o trabalho
de algumas mulheres da vila no mosteiro, bem como as “matinas” das freiras nos
claustros. A vereadora destaca «um momento mais amplo, em que, ao fim de 300
anos, se abriram as túmulos das Santas Rainhas», no ano passado. No fundo,
trata-se de «dar a conhecer a vida do mosteiro e da comunidade que vivia à sua
sombra, a sua história e as “estórias” da própria vila».

Manuela Ventura – Diário de Coimbra