MONDEGO – Cheias podiam ser evitadas mas vão continuar a existir

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Foi
perante uma plateia a transbordar de gente que Alfeu Sá Marques, do Centro de
Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) abordou, de forma científica e
tecnológica, as cheias do Mondego, no âmbito do ciclo de seminários “A Bacia do
Rio Mondego – 12 meses, 12 seminários”.
Pertencente
ao grupo de investigação de bacias hidrográficas, na linha de hidráulica,
recursos hídricos e ambiente, o também professor da Universidade de Coimbra
disse, no Museu da Água, que «se não fosse a barragem da Aguieira, as cheias de
Janeiro e Fevereiro do ano passado seriam bem piores», sustentando, no entanto,
«que houve erros na gestão dos níveis de água da barragem».
O
estudo sobre as cheias que inundaram algumas zonas de Coimbra apresentado
recentemente conclui que os estragos podiam ter sido evitados caso se tivessem
cumprido as normas de exploração da barragem da Aguieira, Penacova. Para Alfeu Sá
Marques, «o problema teve a ver com as regras da operação de descarga da
Aguieira, registando números muito elevados, atingindo 100 metros cúbicos
por segundo, levando depois a debitar 450 metros cúbicos
por segundo por turbina, juntando-se aos muitos metros cúbicos já existentes na
bacia do rio Mondego, numa altura em que o S. Pedro também deixou de colaborar
e não se mostrou amigo».

«Nos
dias 4, 5 e 6 de Janeiro deveriam ter sido efectuadas descargas e não o
fizeram, estando a bombear água por cima. No dia 7 foram seguidas as regras
estabelecidas e as descargas, embora estivessem várias horas paradas, começaram
finalmente a ser consumadas», referiu Alfeu Sá Marques, investigador da
Universidade de Coimbra, instituição que, juntamente com a Universidade do
Minho, participou no estudo das cheias de Janeiro de 2016, elaborado pela Ordem
dos Engenheiros.

Afinal,
de quem é a culpa das cheias no rio Mondego? Alfreu Sá Marques fez uma viagem
no tempo para recordar as cheias de 1948, «as maiores de sempre», com mais de 4.100 metros cúbicos
por segundo. A barragem da Aguieira foi edificada tendo em vista a correção de
cheias,  criar regadios e produzir
electricidade, «crescendo, todavia, as inundações urbanas, com particular
ênfase na Baixa de Coimbra, Montemor-o-Velho e Fornos».
«Coimbra
é pioneira em estudos de hidrologia urbana, impondo regras de impacto zero das
novas construções. No entanto, é preciso falar francamente nos problemas,
encontrar algumas soluções, estudando, porque 
as cheias vão continuar com toda a certeza», concluiu o investigador.

Carlos Sousa – Diário de Coimbra

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