PREVENÇÃO – Assinalar o Dia Mundial da Luta Contra o Cancro a sensibilizar e a educar

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O Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, que se assinala hoje, pretende alertar para diversas temáticas
ligadas à doença oncológica, tendo em vista, nomeadamente, a redução da sua
incidência e mortalidade.
“A verdade é que se tem assistido a um aumento continuado
de novos casos de cancro, fruto tanto do significativo aumento da esperança de
vida das populações como da ação de um cada vez maior número de agentes nocivos
externos, responsáveis pelo determinismo de 70% das doenças oncológicas”,
realça José Manuel Romãozinho, da direção do Núcleo Regional do Centro da Liga
Portuguesa contra o Cancro 
(NRC-LPCC). Acresce que se prevê que “a
incidência destas doenças continue a aumentar, estimando-se que, em 2035, o
número total de novos casos de cancro no nosso país ultrapasse os 63.000, dos quais
mais de metade conduzirão à morte no quinquénio imediato”, alerta o
especialista em Gastrenterologia.
O Dia Mundial do Cancro pretende justamente
ajudar a combater este flagelo, através da sensibilização da sociedade civil e
entidades públicas e privadas de saúde para a necessidade imperiosa da
instituição de 
medidas visando a prevenção primária, o rastreio,
a deteção precoce e o tratamento atempado das doenças 
oncológicas, sem esquecer a proteção e apoio aos doentes
que delas sofrem, no sentido de melhorar a sua qualidade de vida.
Ações junto da comunidade escolar
Com esta finalidade, o Núcleo do Centro da LPCC realiza
hoje, em muitos dos concelhos da região Centro, campanhas de sensibilização e
educação para a saúde sobre a problemática do cancro. Esta campanha incluirá
ações a desenvolver no contexto comunitário, em escolas básicas e secundárias e
universidades, nas Unidades Móveis de Rastreio de Cancro da Mama e centros de
saúde. O NRC-LPCC está ainda disponível para apoiar ações em empresas,
nomeadamente cedendo graciosamente cartazes e folhetos.
Mas as ações de educação para saúde desenvolvidas
pelo Núcleo do Centro da LPCC decorrem durante todo o ano, com diversos programas
de educação e formação contra as doenças oncológicas, os quais abrangem não só
profissionais ligados à prestação de cuidados de saúde, mas também a comunidade
escolar, destaca José Manuel Romãozinho, doutorado em Gastrenterologia. O responsável
alerta, no entanto, que “a eficácia destes programas apresenta uma relação
inversa com o nível etário dos educandos”. Deste modo, “o ensino escolar deverá
ser visto como uma oportunidade de ouro para a educação para a saúde, a qual
deverá começar logo no pré-escolar e estender-se aos restantes níveis de aprendizagem”,
afirma, lembrando que esta teoria é comprovada por estudos da American Cancer
Society.
De resto, a pensar nesta realidade, a LPCC tem
realizado cursos de formação de professores, mantendo depois a ligação com os professores
formados, fornecendo materiais atualizados e convidando a participar em ações
promovidas pela Liga, salienta o médico. São os representantes da LPCC junto
das escolas. De resto, frisa José Manuel Romãozinho, que presidiu a diversas
sociedades médicas ligadas à sua especialidade, “toda a prevenção contra o
cancro tem que começar, para ser eficaz, em idades precoces, pois o processo oncogénico
é muito longo, inicia-se logo nos primeiros anos de vida”.
“Urge criar um rastreio nacional do cancro
colorretal”
Os rastreios são fundamentais para a deteção precoce
do cancro e a região, através do Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa
Contra o Cancro (NRC-LPCC), tem sido exemplar na criação destes programas.
Assim aconteceu com rastreio do cancro da mama em Portugal, que começou na
região Centro, com o NRC-LPCC, e foi alargado a todo o país. Hoje o rastreio
está entregue à LPCC e “tem tido uma adesão extraordinária”, realça José Manuel
Romaozinho, da direção do NRC da Liga.
Quanto ao rastreio do cancro colorretal (cancro do
cólon e/ou do intestino), está provado que “é a medida mais eficaz para a
prevenção deste cancro, que mata em média 11 portugueses por dia”, realça o
gastrenterologista. A deteção precoce, através do rastreio, permite tratar o cancro
colorretal numa fase em que, estando ainda confinado à parede do intestino,
pode ser curado com a cirurgia. Mas o rastreio pode mesmo detetar as lesões
pré-cancerosas, os pólipos benignos, que podem ser removidos durante a
colonoscopia, evitando assim o cancro, afirma José Manuel Romãozinho. “Tem-se
demonstrado que um rastreio nacional promove a redução da incidência do cancro
colorretal, isto é, do número de novos casos, bem como da mortalidade”, frisa o
médico.
A região Centro foi pioneira na instituição de um
rastreio do cancro colorretal, que não abrange toda a região e tem-se debatido com
problemas. O rastreio é baseado na pesquisa de sangue oculto nas fezes e os
casos positivos são depois referenciados para colonoscopia, o que levanta problemas.
“Tem havido dificuldades no acesso às colonoscopias nos hospitais do Estado
porque este é um exame muito requisitado para fins diagnósticos e terapêuticos,
e não sobra muita disponibilidade, na maior parte dos hospitais, com possível
exceção do IPO de Coimbra, para as ações de rastreio”, refere o médico. “Urge
aumentar o financiamento para instituir em Portugal um rastreio nacional, se
necessário recorrendo a entidades privadas. Todos os estudos de custo-efetividade
mostram que vale a pena fazer o rastreio do cancro colorretal. Isto é, o
dinheiro que é gasto no rastreio é superado pelos anos de vida que se perdem,
das pessoas que morrem, pelo custo dos tratamentos hospitalares, já para não
falar no sofrimento causado aos doentes e às famílias.
Dora Loureiro – Diário As Beiras