SOLIDARIEDADE – Associações ajudam jovens guineenses em dificuldades

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O dia de ontem foi diferente para
os 43 jovens, oriundos da Guiné-Bissau, que se encontram em Penacova a estudar
na Escola Beira Aguieira (EBA), nos cursos de Informática, Gestão do Ambiente,
Saúde, Cozinha, Pastelaria e Restaurante Bar. Cientes das dificuldades que os
jovens estão a passar desde a sua chegada a Portugal – a 24 de Fevereiro de
2016 ao abrigo de um protocolo entre o Governo português e a Guiné-Bissau – as
Associações de Estudantes da Guiné-Bissau de Coimbra, Lisboa e Porto uniram
esforços e colocaram em marcha várias campanhas que tinham como objectivo final
angariar donativos para, posteriormente, serem entregues aos jovens.

Roupas, electrodomésticos,
alimentos e cobertores foram alguns dos donativos que ontem foram entregues aos
43 estudantes guineenses. Na verdade, a vida dos jovens desde que chegaram a
Portugal tem sido tudo menos fácil. No entanto, a vontade de prosseguir os
estudos para ter um futuro melhor tem sido determinante para os jovens
ultrapassarem as dificuldades com que se têm deparado em solo português.

A juntar a esta vontade, existe
todo um trabalho de rectaguarda que as Associações de Estudantes da Guiné
Bissau executam para dar «alguma qualidade de vida a estes jovens». «A Guiné
tem muitos alunos a estudar em Coimbra mas a permanência destes jovens em
Penacova não foi bem organizada», explica Vladimir de Pina.

O vice-presidente da Associação
de Estudantes da Guiné-Bissau de Coimbra afirma, todavia, que o caso «dos
alunos de Penacova é excepcional» e que se não fossem as ajudas e as
iniciativas destas entidades «não tinham condições e meios para sobreviver em
Portugal».

O dirigente recordou ainda o
episódio vivido por estes jovens quando, em Setembro do ano passado, «chegaram
a dormir ao relento em frente à Câmara Municipal de Penacova co mo forma de
protesto contra as péssimas condições de habitabilidade nas antigas enfermarias
do Hospital Psiquiátrico do Mosteiro de Lorvão», onde, na altura, habitavam.
Agora, vivem num prédio junto à autarquia e perto da EBA, porém, sublinha
Vladimir de Pina, «as condições ainda não são as melhores».

«Temos ajudado bastante estes
jovens, a vários níveis. Aliás, se não fosse a nossa persistência junto das
entidades para que pudessem viver numa habitação com algumas condições não sei
o que seria destes estudantes»», disse. Tcherno Amadú Baldé assume que a
finalidade destas entidades «é defender o interesse dos estudantes». O
responsável da Associação de Estudantes da Guiné-Bissau reconhece «a dimensão»
da associação que dirige e da «importância do trabalho» efectuado em prol dos
jovens.

Ricardo Busano – Diário de Coimbra