FLORESTA – Fórum Internacional (também) debate ameaça das acácias que proliferam na região

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A mancha florestal de
mimosas (ou acácias) progride a olhos vistos pelos vales e serras da região
Centro, sem que ninguém lhe faça frente. “A situação é grave”, alerta o biólogo
e investigador da Universidade de Aveiro, Carlos Fonseca, coordenador do Fórum
Internacional “Florestas Saudáveis, Benefícios para Todos”, que termina hoje no
Centro de Operações e Técnicas Florestais (COTF), na Lousã.

Embora o foco de atenção do
encontro seja uma perspetiva mais abrangente da floresta – conciliando a
vertente produtiva (eucalipto e pinheiro) e o cultivo complementar de árvores
como o medronheiro, carvalho ou sobreiro – a questão da invasão das florestas
portuguesas por espécies exóticas assume especial protagonismo. A propósito da
realização do encontro, o biólogo constata que “a praga das mimosas continua a
progredir, com enorme potencial invasor”, defendendo a necessidade de “definir
uma estratégia nacional que envolva investimento e acompanhamento”, seja através
de cortes, ou uso de produtos químicos autorizados. À exceção do êxito
alcançado na Mata do Buçaco e em algumas propriedades privadas, especialmente de
minifúndio, a invasão das florestas por espécies exóticas está descontrolada,
constituindo uma ameaça à biodiversidade e aos recursos hídricos existentes.

Mais
de uma centena de participantes em dois dias
Entretanto, durante dois
dias na Lousã, o projeto internacional Forestin reúne cerca de 110 pessoas,
entre responsáveis públicos, técnicos, proprietários e produtores florestais,
muitos deles estrangeiros. Pretende-se “criar uma plataforma de entendimento
que una os vários agentes florestais de Portugal, Espanha e França, países que,
de modo geral, enfrentam problemáticas florestais semelhantes”, refere a
organização. Trata-se de combater “a proliferação de práticas que, por vezes,
ameaçam a integridade e produtividade florestal, condicionando os serviços do
ecossistema como um todo”.

Debate
centrado na floresta de minifúndio

Com financiamento comunitário,
o debate e percurso técnico de “interpretação florestal e de práticas
silvícolas” na Serra da Lousã arrancou ontem de manhã, com a presença do
secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Amândio Torres, do
vogal do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, Rui Pombo, reitor da
Universidade de Aveiro, Manuel Assunção e do presidente da Câmara Municipal da
Lousã, Luís Antunes.

Durante a iniciativa vai
fazer-se o “diagnóstico da floresta portuguesa, na perspetiva dos pequenos proprietários
e instituições suas representantes e interlocutoras”.

Na fase do debate está a
constatação de que “grande parte dos recursos adstritos à produção pertence a
pequenos proprietários”.

A certificação da madeira, a
educação ambiental e a valorização da floresta e dos seus produtos são
objetivos a atingir, juntamente com três instituições certificadores – de
Portugal, Espanha e França – e associações de produtores espanhóis de Sória e
Galiza e os “Bosques modelo” do sul de França.

António Rosado – Diário As
Beiras