UNIVERSIDADE COIMBRA – Desenvolvido novo dispositivo que permite reduzir a utilização de modelos animais em experiências.

0
4
Uma
equipa internacional de investigadores, na qual participa o português João
Ribas, do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de
Coimbra (UC), desenvolveu um novo dispositivo que replica a contração e
distensão dos vasos sanguíneos que, além de acelerar a descoberta de doenças e
medicamentos, permite reduzir a utilização de modelos animais em experiências.

O
novo dispositivo, ou chip, concebido no âmbito de um estudo já publicado na
revista científica Small, é feito de um material derivado do silicone
utilizando várias técnicas de micro-fabricação. Quando as células estão neste
ambiente dinâmico, as respostas são completamente diferentes das obtidas pelos
dispositivos tradicionais porque as suas características assemelham-se às das
células in vivo.
Apesar
de um investimento enorme na pesquisa de novos fármacos na área cardiovascular,
poucos são os que chegam ao mercado. A situação deve-se, em parte, à falta de
modelos que reproduzam as condições do coração e vasos sanguíneos observadas no
corpo humano, como o batimento cardíaco. Este estudo procurou desvendar que
diferenças existem entre modelos que simulam as condições do corpo humano e
modelos estáticos de cultura celular utilizados atualmente.
João
Ribas, aluno do Programa Doutoral em Biologia Experimental e Biomedicina do
CNC, explica que «a solução criada resulta da combinação de várias técnicas de
engenharia, biologia e medicina e poderá ser utilizada por centenas de
laboratórios em todo o mundo, respondendo a várias linhas de investigação
associadas a doença e envelhecimento vascular».
«O
dispositivo poderá ainda ser utilizado pela indústria farmacêutica na
descoberta e teste de novos fármacos na área cardiovascular, acelerando o
processo de descoberta e reduzindo a utilização de modelos animais. Pensamos
ainda que estas plataformas miniaturizadas representam uma solução acessível
para testar condições de microgravidade no espaço e como estas afetam a saúde
dos astronautas», realça o investigador.
No
âmbito da investigação foi, também, utilizado um modelo celular de
envelhecimento prematuro, com células provenientes de doentes. Os resultados
obtidos mostram que o dispositivo permite estirar exageradamente estas células,
obtendo-se vários marcadores de inflamação e doença vascular elevados.
Se
as células «fossem manipuladas em culturas estáticas não se observariam estes
marcadores. Contudo, sabe-se que esta inflamação acontece em doentes, sendo
especialmente importante durante o processo de envelhecimento e necessitando de
ser compreendida para que se possam descobrir fármacos adequados», esclarece
João Ribas.
A
investigação testou ainda alguns medicamentos que provam que o sistema
funciona, podendo ser usado na descoberta e teste de novos fármacos para
combater doenças e envelhecimento vascular.
Além
do CNC, a pesquisa envolveu o Instituto de Investigação Interdisciplinar da UC,
Brigham and Women’s Hospital – Harvard Medical School (EUA), Harvard-MIT
Division of Health Sciences and Technology (EUA), e MIRA Institute for
Biomedical Technology and Technical Medicine da Universidade de Twente (Holanda).
O investigador João Ribas foi financiado pela Fundação para a Ciência e
Tecnologia (FCT) e pela Defense and Threat Reduction Agency (EUA).

Cristina Pinto – Universidade de Coimbra

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui