CRÓNICAS – Bruno Paixão apresenta livro “Prime Time is my Time”

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Em entrevista, Bruno Paixão fala com a jornalista Lídia Pereira acerca do seu mais recente trabalho. Uma obra que reúne crónicas
publicadas no DIÁRIO AS BEIRAS e que vai ser hoje apresentada, numa sessão a partir
das 18H00, na cafetaria do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra



LP: A crónica é
ainda, continua a ser – apesar do que de “tweet” passou a ser muita da “nossa”
comunicação quotidiana –, um género singular. É o seu género singular de
escrita e comunicação?
BP: Enquanto
jornalista, o meu registo foi essencialmente o da reportagem e da notícia.
Quando há uns anos me decidi pela vida académica, a minha referência passou a
ser a aná- lise. Ao aceitar o estimulante desafio de exprimir regularmente a
minha opinião, e partilhá-la com os leitores de um jornal diário, foi-me
proposto um espaço de crónica. Este género permitiu que percebesse uma coisa
fantástica: só através da escrita posso exprimir aquilo que realmente penso. A
opinião é, por um lado, um risco. Por outro, torna-nos mais cívicos, as discordâncias
fazem-nos crescer e motivam-nos, a crítica é estruturante para um pensamento
são e democrático.
LP: Este seu
livro reúne as crónicas publicadas no Diário as Beiras. Juntá-las, agora,
porquê?
BP: Hesitei
muito em fazê-lo. As crónicas foram publicadas no jornal, postas a circular nas
redes sociais e não cultivo o hábito de as reler depois de lhes colocar um
ponto final. Mas acontece que ao chegar aos cem artigos fui incitado a compilar
alguns, sobretudo aqueles que provocaram maior ressonância entre os leitores.
Percebi a interação das pessoas, recebi e-mails de gente que me lia noutras
partes do país e do mundo, que por um motivo ou por outro corroborava ou
contrapunha argumentos. Essa dimensão tem superado aquilo que era para mim
expectável. Acomodei em capítulos temáticos as reflexões que julgo fazerem
menção a este tempo marcante que atravessamos e ajudarão a estimular a
contundência dos leitores e a desconstrução daquilo que tendemos a aceitar sem
reservas. É preciso.
LP: Comunicação,
jornalismo, política e cultura, os temas que, como diz, o estimulam à escrita.
Não parecendo ou parecendo cada vez menos, isto anda, de facto, “tudo ligado”.
Ou não?
BP: Sim. A
sociedade é hoje caracterizada por uma profusão de redes que nos ligam, a
partir de qualquer lugar, em qualquer instante. Nós somos vistos, ouvidos e
lidos, bastando para isso um simples clique. Esta cogitação operou
transformações profundas no relacionamento entre as pessoas, a cidadania foi
alterada e nem sempre para melhor. Por isso é indispensável tomarmos
consciência de nós no mundo e percebermos que estamos continuamente a receber e
a gerar informação. Apesar das virtudes da Internet, esta, sem filtros, projeta
sobre nós um manto de vulnerabilidades.
LP: Com que
leitores espera encontrar-se hoje na apresentação do seu livro?
BP: Tomei a
opção de não dirigir convite particular a ninguém, dado sentir genuinamente que
o livro deixou de ser meu desde o momento em que se libertou das minhas mãos.
Ele há-de encontrar o seu espaço, seja nas bibliotecas, em estantes, junto à
almofada ou nas salas de estar. O livro será oferecido nesta sessão de
apresentação, só após isso será colocado à venda pela Minerva. Espero ter o
gosto de ver amigos, companheiros de tertúlias e discussões, mas também os que
me leram e que, na sua razão cívica, foram honestos no elogio ou na crítica.

Lídia Pereira – Jornalista



























PERFIL
Bruno Paixão, é doutorado em Ciências da Comunicação pela
Universidade de Coimbra, com a tese “A cobertura do Escândalo Político em
Portugal no período democrático” – tema sobre o qual se debruça em profundidade
desde 2004.
É autor do livro “O escândalo político em Portugal”,
co-autor de vários livros e autor de diversos artigos académicos sobre o
assunto, publicados ao longo dos últimos anos. 
É investigador do CIC.Digital (pólo da Universidade
Nova de Lisboa), onde intervém em grupos de trabalho sobre a “Cobertura
jornalística da Corrupção Política” e do CEIS20 (Universidade de Coimbra).
É membro da Junta Diretiva da Associação
Latinoamericana de Investigadores em Campanhas Eleitorais. Foi jornalista de
imprensa. Foi membro da direção da Associação Portuguesa Para o Estudo da
Propriedade Intelectual.