JUSTIÇA – Homem julgado por violência doméstica que começara ainda antes do casamento

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Homem de 34 anos é hoje
julgado por acções que decorreram desde o casamento, em 2010. As agressões
físicas começaram um mês antes.
O Tribunal de
Penacova inicia hoje o julgamento de um homem de 34 anos, de Carvalhal de
Mançores, acusado de um crime de violência doméstica. Mas a relação de casos
que constam da acusação do Ministério Público (MP) recuam até um mês antes do
casamento, cuja cerimónia teve lugar em Agosto de 2010.
Neste
preâmbulo de uma relação “violenta”, em Julho de 2010, quando se dirigiam para uma
festa de aniversário, o indivíduo terá desferido, dentro do carro, uma bofetada
na face da namorada, provocando-lhe um hematoma no olho direito.
Depois de
muita argumentação, e uma primeira afirmação por parte da vítima de que já não
iria casar, o homem levou a sua avante e, não só foi à festa – depois de
comprar uma pomada para tapar as marcas – como casou, em Agosto desse ano,
tendo o casal gerado um a filha posteriormente.
De acordo com
a acusação, no próprio dia em que foi buscar a mulher e a filha à maternidade, o
alegado agressor, «já influenciado pela ingestão de bebidas alcoólicas, por ter
passado a noite numa discoteca», não deu qualquer apoio à mulher e à filha
bebé.
Os
maus-tratos, nomeadamente verbais, seguiram-se, mas surge o episódio mais grave
na noite da consoada de 2014, dia em que o arguido terá chegado a casa
embriagado, insistindo que fossem acordar a bebé de dois meses para abrir as
prendas de Natal. A recusa dos familiares foi o suficiente para empurrar a avó
da ofendida e proferir mais um chorrilho de impropérios.
O jovem,
mecânico de profissão, por conta própria, sofreu, de acordo com a acusação, as
consequências da dependência do álcool e que levaram à perda de clientes e
dificuldades financeiras, redundando no levantamento de 13 mil euros de uma
conta conjunta, valor relativo a prendas de casamento, isto já em Agosto de
2015, e sem conhecimento da mulher.
Em Novembro
desse ano, quando seria necessária a sua ajuda para adquirir uma cadeira de
transporte para a filha, a situação descarrilou completamente, com veladas
ameaças de morte e agressões físicas, em episódios que se prolongaram até ao
Verão de 2016, quando a mulher saiu de casa e levou a filha.
As várias
sessões de assédio obrigaram a mulher a fugir para junto dos pais, em França, entre
27 de Agosto e 18 de Setembro de 2016, sendo, mesmo assim, ameaçada pelo
telefone, o que continuou após o regresso a Carvalhal de Mançores.
Neste
processo, o arguido queixou-se de um crime de subtracção de menores, por parte
da mulher, queixa arquivada pelo Ministério Público.

José Carlos Salgueiro – Diário de Coimbra