Trump, o amigo da Democracia.

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Aquando da eleição de Donald
Trump, alguns companheiros de discussão política defenderam que esse resultado viria
a revelar-se proveitoso. Segundo eles, Trump seria tão mau que provocaria o
colapso do sistema vigente, que ressurgiria depois melhor e mais justo.

Na altura chamei-os de
lunáticos. Hoje, apesar de ainda não partilhar daquela opinião, verifico que
surgem sinais positivos, ainda que acidentais.

Contextualizemos: o projecto-lei
de Donald Trump para o sistema de saúde nos Estados Unidos falhou, resultando
numa tremenda derrota para esta administração, que tinha estabelecido a remoção
e substituição do Obamacare como a
prioridade número um no programa deste governo. Embora Trump se tenha
justificado com a falta de apoio dos Democratas, a verdade é que o projecto-lei
não foi bem conseguido. Com uma taxa de aprovação popular abaixo dos 20%, nem
entre os Republicanos a proposta gerou simpatia. Thomas Massie, congressista
Republicano cuja declaração de voto se tornou viral, afirmou que recebeu 275
pedidos dos seus constituintes para votar contra a lei e apenas 4 para votar a
favor.

E é aqui que reside a beleza
da questão. De um lado, o Presidente dos Estados Unidos, o homem mais poderoso
do país e talvez do planeta a exigir aos representantes do seu partido que
votem a favor do projecto-lei. Do outro, os eleitores a pressionar no sentido
oposto. Thomas Massie podia até ser o mais inveterado apoiante de Trump, mas
sem a confiança dos seus eleitores, a sua carreira política acaba. Nunca
poderia ir contra tal demonstração de vontade popular, apesar das directivas do
partido – o sistema nos Estados Unidos é diferente e a disciplina de voto não
tem o mesmo peso que em Portugal, por exemplo.

Ou seja: o povo fez-se
ouvir. O caso de Thomas Massie é mais um exemplo da explosão de participação
cívica que se vive hoje nos Estados Unidos. Involuntariamente, Trump pode mesmo
ser apontado como o grande responsável.
Rui Sancho