DECIF 2017 – Militares reforçam dispositivo de incêndios florestais

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O Dispositivo Especial de
Combate a Incêndios Florestais (DECIF 2017) foi ontem apresentado no concelho
da Lousã, com a novidade de que quase 1.400 militares do Exército vão intervir
no terreno, nomeadamente em acções de rescaldo e de vigilância, libertando,
desta forma, os bombeiros para as acções de combate às chamas e, também, para
que possam descansar devidamente.

Esta faceta foi destacada
pelo secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, explicando que
os militares não vão combater incêndios.

Trata-se de 1.380 elementos,
que estão a receber formação em Castelo Branco e que, ontem, já fizeram uma
demonstração no terreno.

No total, de acordo com o
coronel Duarte Costa, são perto de 1.500 militares, divididos em 60 pelotões,
metade dos quais intervém numa primeira fase, ficando os restantes para a
rendição dos primeiros.

De acordo com Rui Esteves,
Comandante Operacional Nacional da Protecção Civil, também os bombeiros, num
total de 10.787, estão a receber formação, de forma a estarem mais preparados.
Um dos objectivos propostos
é conseguir accionar meios dentro dos primeiros dois minutos

Dentro dos objectivos
traçados pelo responsável, existe uma preocupação de reduzir ao máximo o número
de reacendimentos – responsáveis, em 2016, por mais de 20 mil hectares ardidos
-, sendo ainda que o DECIF 2017 prevê a criação de melhores condições logísticas,
através da alimentação (nomeadamente rações de combate), combustível para as
viaturas, locais onde ser feito um descanso adequado e a alocação de meios de
transporte para rendição de meios em autocarros.

Esta é, aliás, uma situação
que se pode verificar com mais frequência, na medida em que foi decidido
pré-posicionar, na fase mais crítica, equipas de bombeiros em distritos com
maior incidência de incêndios, e também dificuldades de voluntariado,
nomeadamente nos distritos de Braga, Viana do Castelo e Vila Real.

Um objectivo que também foi
lançado por Rui Esteves prende-se com a ambição de accionar meios para as
ocorrências dentro de dois minutos após o alerta, numa aposta forte na primeira
intervenção, situações em que também têm muita importância os elementos do
Grupo Intervenção de Protecção e Socorro da GNR (GIPS), que se deslocam para o
teatro de operações em helicópteros, como ontem demonstraram, o mesmo sucedendo
com a Força Especial de Bombeiros, que fez uma demonstração de chegada ao
terreno descendo em rappel a partir de um Kamov.

Máquinas
de rastos ajudam

Sem contar com a intervenção
essencial e basilar dos cerca de 20 mil bombeiros (números de Jaime Soares,
presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses), que «são a coluna vertebral de
todo o dispositivo, de acordo com Jorge Gomes, esta campanha volta a contar com
o ICNF, como não poderia deixar de ser, mas também com as autarquias, sapadores
florestais e, um meio extremamente precioso e que ontem deu mostras da sua
valia a abrir caminhos, que são as máquinas de rastos.

Em termos globais, de acordo
com os números disponibilizados, vão estar empenhados, na fase Charlie, a que
tem maior risco, 9,740 operacionais e 2.065 viaturas.

Nesta fase, atinge-se também
o pico de meios aéreos, com 36 helicópteros de primeira intervenção (mais três
da Afocelca), três heli-bombardeiros pesados Kamov e oito aviões anfíbios, a
que se soma uma nova valência, um helicóptero de coordenação.

A cerimónia de ontem foi
iniciada pelo anfitrião, o edil da Lousã, Luís Antunes, que enalteceu o papel
desempenhado pelo secretário de Estado das Florestas, o conterrâneo Amândio
Torres, ao nível da mais recente legislação sobre ordenamento florestal, e realçou
«a disponibilidade dos dispositivo distrital da ANPC, nomeadamente no que diz
respeito à postura do CODIS, Carlos Luís Tavares.

José Carlos Salgueiro – Diário de Coimbra