ENTREVISTA – Carlos Pinheiro fala com Mónica Sofia Lopes, acerca da Associação Comercial e Industrial da Bairrada e Aguieira

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Qual
é o estado da economia nas zonas que a Associação abrange?

A economia está hoje melhor
do que estava há dois anos e tudo porque as empresas foram capazes de fazer
adaptações e ajustamentos às novas realidades, numa altura em que se atravessou
uma grande crise econó- mica. Os empresários mostraram uma capacidade de
resiliência e de modernização excepcionais, contrariamente ao que fez o resto
da sociedade civil.

O
que quer dizer com isso?

O simples: que o crescimento
do país se deve às empresas e que os empresários se portaram como uns
autênticos heróis. Mudaram o foco dos seus negócios, numa perspectiva geográfica
e de desenvolvimento dos produtos, tendo até alguns encontrado novos produtos. 

E é de enaltecer que muitos o tenham feito em tempo recorde porque, ou era
assim ou encerravam as suas empresas, o que aconteceu em algumas… poucas, mas
aconteceu.

Qual
é o ponto concreto do Município da Mealhada?

A Mealhada foi sempre mais
forte, que os municípios limítrofes. Tem mais empresas e mais volume de negócios,
muito porque tivemos parques industriais mais cedo do que outros concelhos. E,
claro, não podemos esquecer que ajuda muito estarmos situados perto da zona
litoral. 

Mas se olharmos para Mortágua e Penacova, o trabalho que tem sido
feito é meritório e, ao nível do pequeno comércio, o de proximidade, que tem
uma importância incalculável, estes dois municípios “ganham” à Mealhada.
Existem mais lojas, mais variedades e mais cuidados e depois na Tômbola de
Natal verificamos números de inscrições excepcionais.


As
zonas industriais ajudam e são um factor importante?


Têm uma influência
determinante no estado da economia concelhia e começa a ser altura de procurar
um espaço para outra zona industrial na Mealhada. Tem que se começar a fazer
esse trabalho… 

Por outro lado, tem que se cuidar das zonas industriais
existentes, tal co mo fazer arranjos nos espaços arquitectónicos e
ambientais… É preciso dizer-se que a Zona Industrial de Ponte de Viadores (a
mais antiga) foi inaugurada em 1990…


Qual
é o factor mais prejudicial para as empresas nesta altura?


Há que repensar todo o
sistema… Hoje os tempos são diferentes do que eram há uns anos… a banca
retrai-se em financiar a abertura de novas empresas e não está virada para o
financiamento de terrenos e construções. E isto para as empresas, que ao início
fazem grandes investimentos, é pesado.

Portanto, temos que encontrar formas de
ajudar e valorizar as boas ideias que aparecem, para não se hipotecar, à
nascença, nenhuma empresa. E que “formas” podem ser essas? Ter uma perspectiva
inter-regional. Não se deve pensar concelho a concelho, mas numa agregação de
todos juntos.


De
que forma a ACIBA apoia as empresas sediadas no concelho da Mealhada?


A ACIBA é uma associação de
empresários que presta um trabalho de divulgação de tudo o que são actividades
dos concelhos da Mealhada, Mortágua e Penacova. 

Neste momento, estamos a
acompanhar muitos futuros empreendedores; a proporcionar programas de
formação-acção; entregámos uma candidatura de âmbito turístico no Turismo de
Portugal; temos, no GIP (Gabinete de Inserção Profissional) uma procura enorme
de pessoas dos concelhos que abrangemos, mas também de fora; e estabelecemos
protocolos que nos permitem dar apoio nas áreas da higiene e segurança no
trabalho, seguros e consultadoria jurídica.


E
o trabalho destas associações é essencial para os empresários?


Os empresários têm pouco
hábito de associativismo. Em vez de se pensar o que é que o associativismo “me”
pode dar, deveria pensar-se o que “eu”, enquanto empresário, posso dar à
Associação, que me possa ajudar a mim e a outras empresas, no futuro. É com os
nossos “vizinhos” que as nossas empresas vão correr bem. Não estamos em época
de individualismos, mas é bastante clara a distância entre as associações e os
empresários.


Referiu
que foi entregue uma candidatura na Turismo de Portugal. De que se trata?


É uma candidatura à Linha de
Apoio à Valorização Turística do Interior que está, neste momento, a ser
elaborada pela ACIBA e que tem como principal objectivo o apoio ao investimento
a iniciativas/projectos com interesse para o turismo, que promovam a coesão
económica e social do território. Neste projecto queremos constituir e
fortalecer uma marca, definimos um conjunto de acções a levar a cabo que
permitam pensar em desenvolver a economia dos concelhos Mealhada, Mortágua e
Penacova e da região, no seu todo, fazendo o aproveitamento das excelentes
condições patrimoniais, ambientais e culturais, desta “sub-região”.


Que
mais projectos tem para o futuro?


Temos no terreno o projecto
Inovstart, que tem como objectivo apoiar a criação de novas empresas e/ou
negócios, nos concelhos da Mealhada, Mortágua e Penacova em todos os sectores
de actividade. 

O projecto está em execução desde Janeiro de 2017 e até à data
foram atendidos 54 empreendedores, dos quais 32 estão, neste momento, a ser
acompanhados com consultoria especializada, nas áreas agrícola, do turismo e
das novas tecnologias.


E
para todo este trabalho, o papel das Câmaras Municipais tem sido fundamental?


Verdade seja dita, que se
não fossem as parcerias da ACIBA com as autarquias, os projectos não
aconteciam. Há constrangimentos em algumas situações, mas que não dependem das
câmaras. Não devia ser possível “oferecer-se” tantas dificuldades a quem aparece
com um novo projecto. É uma dádiva quando alguém tem uma nova ideia de negócio
e todo o processo devia ser mais ágil do que é. Mas o verdadeiro papel
fundamental de todo o sucesso empresarial e económico nos municípios é o
trabalho histórico das empresas, pelo simples facto de estarem “de pé” há
tantos Dirigente associativo diz que “não se pode matar uma empresa à nascença”
anos.





Entrevista originalmente publicada no Diário de Coimbra de 02.05.2017

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