EXPOSIÇÃO – Sandra Henriques inaugura exposição fotográfica sobre a aldeia submersa da Foz do Dão

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A submersa aldeia Foz do Dão vai ser o mote para uma exposição a ser inaugurada
no dia 06 de Agosto em Santa Comba Dão, e que vai decorrer de 11 a 16 de Agosto, no Largo do Município. 

Em em fevereiro deste ano, Sandra Henriques, promotora do projeto, foi contactada pelo Jornal do Centro, poucos meses depois de saber que tinha obtido uma bolsa no concurso Criar Lusofonia, promovido pelo Centro Nacional de Cultura, tendo na altura dito que pretende “dar a conhecer o processo
pelo qual as pessoas passaram até se fazer a barragem, o espaço de tempo, de
quase 40 anos, desde que foi anunciada até estar completamente construída em 1981. Adiantou ainda àquele diário eletrónico, que é seu
objetivo sensibilizar as pessoas para alguns dos aspetos que marcaram a vida das “
muitas famílias que foram constituídas, mesmo sabendo que
iriam ser deslocadas
” ou os “40 anos em que viveram sem eletricidade ou
qualquer investimento que melhorasse a sua qualidade de vida, uma vez que a
aldeia iria desaparecer
”.
A Foz do Dão
No
início da década de 80 com a construção da barragem da Aguieira, a aldeia da
Foz do Dão foi engolida pelas águas do Mondego e Dão, acabando por desaparecer.
À população foram oferecidas promessas de emprego e crescimento do turismo,
reduzidas indemnizações e pequenos lotes numa rua da freguesia de Óvoa, em
Santa Comba Dão.
O projeto
Este
projeto “Foz do Dão – A Aldeia Submersa”, que começa agora a tornar-se público
com a exposição fotográfica, começou em 2013 e continuará com outros
resultados. Tem missão, dar voz aos antigos habitantes da aldeia da Foz do Dão
fazendo permanecer a memória daquela aldeia que, na altura, seria a terra de
cerca de 200 pessoas. Reconstruir e valorizar as memórias e histórias e
perceber, através da experiência de perda dos que nela moraram, o real valor e
sentido da comunidade, cultura, paisagem e até arquitetura de um espaço, para
cada um de nós e para nós como um todo, é o grande objetivo.
Entidade e sociedade
A
construção de barragens é uma alteração radical com consequências a nível
humano, devido à perda do espaço individual e social do indivíduo. Com a
submersão, há uma mudança rápida da vida das pessoas, da paisagem, do clima e
da fauna e a flora.
Alargando
um pouco o campo de visão, apercebemo-nos que este é um tema universal. Todos
os dias milhares de pessoas são obrigadas a abandonar os sítios onde viviam,
pelo progresso, por catástrofes naturais, por motivos legais, pela guerra.
O
que é que muda quando nos tiram para sempre o nosso lar, as rotinas de todos os
dias, os vizinhos, as paredes, os lugares?
Sandra Henriques (pequena biografia)
Licenciada
em Teatro e Educação pela Escola Superior de Educação, e como formação em Canto
pelo Conservatório de Música de Coimbra, têm-se dedicado ao teatro como
professora, atriz e criadora. Natural de Penacova, nascida em 1989, trabalhou com
Leonor Barata e Adriana Campos no Projeto d, deu formação no Festival de Teatro
de Inverno de Maputo, a convite da Associação Girassol e, atualmente, trabalha
na Escola de Artes de Penacova e na Catrapum Catrapeia com Vânia Couto.
Em
2016 ganhou a Bolsa Jovens Criadores com o projeto “Foz do Dão – A Aldeia
Submersa”, projeto este que surge em 2013 pela curiosidade e necessidade de
compreender e documentar o lado emocional da perca de identidade.