SOLIDARIEDADE – Voluntários missionários vão ajudar a salvar vidas na Guiné servindo com amor

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Quatro
voluntários da S.O.G.A. – Servir Outra Gente com Amor partem esta quinta-feira para a Guiné-Bissau e por lá ficarão até 3 de Setembro numa missão humanitária que é
apenas uma etapa da longa e intensa relação que existe entre a associação,
nascida em 2015 e aquele país, em especial com a ilha de Soga, onde têm vários
projectos.
Michael
Görne, presidente da S.O.G.A.; Catarina Quadros, com mestrado em Psicologia;
Diogo Morais, estudante de Medicina Dentária e Henrique Pinhel, guineense e
estudante de Direito em Coimbra partem para uma aventura que inclui, entre
outros, encontros com elementos do governo guineense, mas também o contacto com
a população de Soga, que os espera de braços abertos para lhes mostrar como
correm os projectos ali implementados, ao nível da Saúde, da Educação e da
Sustentabilidade, que são os pilares do trabalho da associação.
«O nosso primeiro objectivo é salvar vidas»,
explica Michael Görne, falando numa ilha com 1.153 habitantes onde, há cinco
anos, morriam anualmente 90 pessoas, onde em 2013 em três crianças nascidas
morria uma e onde a esperança média de vida não vai além dos 40 anos. E, para
salvar vidas, a S.O.G.A. tem feito o que pode. Formou, financiando bolsas de
estudo, quatro enfermeiros, dois deles a trabalhar no Centro de Saúde que a
associação ajudou a construir a partir de um edifício inacabado encontrado na
ilha; faz distribuição de medicamentos e já conseguiu erradicar a epidemia da
cólera e dominar a malária e sensibiliza para a necessidade de ferver a água e
ter saneamento básico.
Está
prestes a conseguir evitar as muitas mortes ocorridas à beira-mar, nomeadamente
de mulheres grávidas, por não haver transporte que as leve até à ilha vizinha
de Bubaque, onde há um hospital.
É
que num contentor que deverá chegar à Guiné dentro de dias, onde irá material
escolar e de enfermagem, roupa, bicicletas, mesas de costureira, uma chocadeira
ou um filtro de água comunitário vai também um barco, conseguido graças à
persistência dos elementos da S.O.G.A. e à ajuda da empresa Figueiraeates que
fez um desconto de 60% no seu valor e ainda pintou o nome do projecto: “Travessia para a vida”. No contentor
vai também mobiliário para o infantário que Michael Görne espera que a S.O.G.A.
consiga abrir este ano na ilha, respondendo a uma necessidade sentida pela
população.
O
projecto integra um outro pilar: a Educação. E a este nível, além de financiar
14 alunos bolseiros, é também responsável pelo funcionamento da escola
primária, com 180 crianças, (três dos quatro professores foram bolseiros da
S.O.G.A.) e tem um projecto de apadrinhamento de crianças. «São 19, mas a expectativa é que possam ser
o dobro
», disse. 20 euros por mês garantem às crianças respostas a nível
de saúde, alimentação e formação.
Quanto
à sustentabilidade, o grande projecto é “Fora
da Casca_SOGA – Cooperativa para Descasque de Caju”
que promete ser «uma fonte de rendimento importante» da
população e já começa a «criar excedentes», revertendo uma percentagem para
projectos humanitários na ilha. «Três
quartos da população produz caju
»,. esclarece Michael Görne, confiante no
sucesso deste que é «um dos grandes
projectos
» da S.O.G.A. em Guiné-Bissau. É por tudo isto, que vale a pena a
missão para os quatro aventureiros que partem quinta-feira e prometem voltar
com novidades para contar. 

A
S.O.G.A. – Servir Outra Gente com Amor nasceu em Março de 2015 herdando todos
os projectos humanitários da antiga Associação Juvenil Promundo, liderada
Fernando Castro, entretanto falecido. Neste momento tem 100 sócios activos,
vários voluntários e o apoio de várias instituições, nomeadamente a Escola
Superior de Enfermagem de Coimbra, a União de Exportadores CPLP, o Rotary Club
Olivais e a Diocese de Coimbra. Um dos aspectos mais importantes dos seus
projectos é que são desenvolvidos em conjunto com a população que trabalha activamente
na sua concretização. 50 dos sócios são guineenses 

Ana Margalho – Diário de Coimbra