ENTREVISTA – Humberto Oliveira fala sobre as potencialidades do concelho para captar investimento estrangeiro

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O concelho de Penacova, localizado no distrito de Coimbra, tem a questão da
interioridade bem evidente. Com cerca de 15300 habitantes é um concelho com
baixa densidade populacional. Que medidas existem para conter a diminuição de
habitantes no concelho?
O Município de Penacova tem realizado nos últimos anos uma série de medidas
que visam mitigar a diminuição de população residente, não só através de
medidas sociais, como também de medidas de apoio ao crescimento económico. Se
por um lado sabemos que se não existe emprego, será extremamente difícil fixar
os penacovenses cá (e no limite atrair pessoas de outras localidades), também
compreendemos que as respostas sociais são um dos fatores preponderantes de
escolha de local para viver, e um medidor de referência de qualidade de vida.
Por isso, temos atraído novos investimentos e novas empresas a instalar-se em
Penacova, e com sucesso temos trazido novos negócios nos últimos anos.
Paralelamente temos um conjunto de medidas de apoio às famílias, que vão desde
os apoios diretos à natalidade, até ao apoio ao nível escolar, tanto no ensino
obrigatório como no ensino superior.
O município de Penacova tem medidas para atrair novos habitantes para o
concelho, desde logo migrantes que possam procurar o concelho quando aqui
instaladas empresas com necessidade de mão de obra qualificada?
O Gabinete de Desenvolvimento Económico e Social tem uma estrutura que
apoia a instalação de migrantes que queiram investir em Penacova.
Quais são os tipos de apoio ou vantagens para a implementação de empresas
no concelho?
Desde logo nas taxas e licenças, com a isenção do pagamento de taxas de
licenças municipais à instalação de empresas para as que pretendem instalar-se
nos Parques Empresariais da Alagoa e dos Covais. Noutros locais não existe
isenção mas sim redução que poderá ir até aos 90% em função dos postos de
trabalho da empresa (10% por cada posto de trabalho criado com limite de 90%).
Fazemos o apoio à empresa – previsto no Regulamento de Apoio a Iniciativas
Empresariais e Económicas de
Interesse Municipal, que pode ir até 80% do valor do investimento, até ao
limite de apoio de 10.000,00€, subordinado a determinadas condições específicas
no Regulamento supracitado. Temos apoio ao financiamento – Consultoria Técnica
prestada pelo Gabinete de Desenvolvimento Económico e Social.
Quais são, no seu entender, as áreas com mais potencial de investimento no
seu concelho?
Penacova é um concelho florestal onde existe espaço para a natureza. Por
isso, entre a produção florestal e o turismo de natureza e meditação, este é o
local ideal para a instalação desses negócios.
O que distingue o seu concelho de outro concelho rural e quais são as
mais-valias do concelho de Penacova?
A principal mais-valia de Penacova é a sua posição geográfica. Se dentro do
concelho as pessoas podem usufruir de um estilo de vida mais calmo, e de uma
qualidade de vida superior, por outro lado as empresas estão encostadas ao eixo
rodoviário mais importante de exportação de mercadorias para a Europa – o IP3,
a escassos dez minutos do nó da A1, e a 45 minutos do Porto de Aveiro.
Que vantagens competitivas e económicas tem o concelho para oferecer aos
empresários que nele queiram investir?
Posição geográfica e eixos de comunicação, as estratégicas e regime fiscal
(de interioridade e sem derrama). Somos um concelho amigo das empresas, com um
gabinete municipal dedicado a ajudar as empresas. Temos preço de mão de obra
competitivo e, sobretudo, mão de obra muito qualificada por via da proximidade
à Universidade de Coimbra, ao Politécnico de Coimbra, e outras Entidades do
Ensino Superior localizadas na região.
Quais as principais mais valias que destaca no seu concelho?
A existência de um potencial não trabalhado no sector da floresta, com uma
grande área do território ocupada por solo florestal. No entanto não existe uma
única unidade de transformação/valorização dos recursos florestais; natureza e
condições geográficas propícias à existência de vários locais no concelho
idílicos para a instalação de unidades de turismo de natureza e espiritual;
recursos naturais, nomeadamente a elevada qualidade da água; proximidade com
Coimbra (um dos pólos universitários mais antigos da Europa) e a localização
entre Lisboa e Porto.
A interioridade tem vantagens e desvantagens. Algumas das vantagens são a
preservação do património, da natureza intacta, das tradições. Penacova é um
concelho preservado?
Penacova é um concelho com muito património natural preservado, algo que
tem sido alvo de uma constante manutenção e preservação, mas por outro lado
existe um conjunto patrimonial edificado (destacaria o Mosteiro de Lorvão) que
necessita de investimento de forma a conseguir uma utilização plena do seu
potencial.
Para além de atrações turísticas, que lhe vêm do património, da natureza e das
tradições, que outras atrações destaque no concelho?
A excelência da gastronomia e o rico folclore.
Nesta área o que falta ainda fazer?
Na fileira florestal – instalar empresas que desenvolvam os seus negócios
através da valorização do produto; Aventura – apoiar operadores privados no
desenvolvimento e inovação dos produtos turísticos, com respostas mais atuais à
procura que nos chega do centro da Europa.
Tendo em conta os eixos de desenvolvimento definidos para o concelho, quais
foram os principais investimentos dos últimos anos?
A construção do Parque Empresarial da Alago, os apoios às respostas
sociais, os apoios à natalidade e a criação de espaços de visitação turística.
Quais são os principais eixos de desenvolvimentos pensados para o futuro?
Os mesmos desenvolvidos nos últimos anos, a saber: captação de
investimentos, através de desenvolvimento de novas áreas de acolhimento empresarial;
fixação de pessoas através de melhorias nas respostas sociais; diminuição da
população residente através de apoios à natalidade.


Esta entrevista, originalmente publicada em francês, faz parte integrante
do GUIA Investir à la
campagne au Portugal
Este Guia, produzido em francês pela APMRA – Associação Portuguesa de
Marketing Rural & Agronegócio, é fruto do interesse de muitos franceses por
Portugal, com o desejo de investir em meio rural, e tem como objetivo
promover e divulgar o território rural no estrangeiro, e desta forma captar a
atenção de investidores estrangeiros, divulgando as variadas áreas que os
territórios rurais portugueses oferecem como oportunidades de negócio associado
ao desenvolvimento rural sustentável
Procura dar resposta às dúvidas mais frequentes: quais as oportunidades de
investimento, quais os concelhos, o envolvimento dos centros de competências
com as empresas, os recursos humanos disponíveis, a fiscalidade aplicável e os
apoios públicos para o investimento estrangeiro.
Foram entrevistadas 37 pessoas, entre empresários e autarcas, que estão a
mudar a imagem do “interior” do país.
O guia contou ainda com a participação de Patrícia Dias AlmeidaAlexandre FerrazFilipe FerreiraMarta Gaudencio e Margarida Vaqueiro Lopes.
O conceito foi desenvolvido por Frederico Lucas, a
coordenação editorial coube a Cândida Santos Silva, a
paginação a Luis Covas e a
fotografia a Jose BarradasInês d’OreyRui Manuel FerreiraCarlos Pimentel entre
outros.
O livro foi prefaciado pela Profa. Helena Freitas, enquanto
Coordenadora da Unidade de Missão para a Valorização do Interior.
Este livro em francês, em formato de guia, tem como objetivo promover e
divulgar o território rural no estrangeiro, e desta forma captar a atenção de
investidores estrangeiros, divulgando as variadas áreas que os territórios
rurais portugueses oferecem como oportunidades de negócio associado ao
desenvolvimento rural sustentável.
O guia tem 240 páginas a 4 cores e o preço de lançamento de 30€ (IVA
incl.).
Pode ser adquirido nas livrarias ou no site da associação em