INCÊNDIOS – Queimadas proibidas e reforço de meios tentam evitar mais incêndios

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O
primeiro-ministro visitou ontem a plataforma logística de apoio aos
agricultores, instalada em Vila Nova de Poiares, onde sublinhou que “é absolutamente proibido fazer qualquer
tipo de queimada nesta época
”. António Costa revelou ainda que, durante este
fim de semana, de elevado risco devido às altas temperaturas, os meios de combate e prevenção estão
reforçados.
As pessoas estão habituadas a que esta seja
uma época de queimadas mas o clima não está como habitual
”, avisou o chefe
do Executivo, afirmando que “todos nós
podemos colaborar ativamente para que não haja incêndios, evitando
comportamentos de risco
”.
“Duplicámos
os meios aéreos disponíveis, temos um grande reforço do dispositivo com cerca
de quatro mil bombeiros mobilizados, mas sobretudo com um gande reforço do
patrulhamento quer por parte da GNR, quer por parte da PSP e das Forças
Armadas” que, adiantou, “já têm no terreno 88 patrulhas, não só com elementos
do Exército, da Marinha e da Força Aérea.
600 mil cabeças de gado para alimentar
António
Costa conheceu a base logística, situada na Zona Industrial de Vila Nova de
Poiares, na companhia do ministro da Agricultura, Capoulas Santos, e do
ministro da Defesa, Azeredo Lopes. “Em
todo o conjunto destas áreas ardidas temos estimado que 600 mil cabeças de gado
carecem de alimentação
”, referiu o responsável, salientando a estratégia de
“colaboração com as Forças Armadas, em
cooperação com a Indústria e o ministério da Agricultura, para fazer chegar
rações e palha aos diferentes municípios
.”
A
plataforma de Poiares, uma das cinco criadas nas zonas afetadas pelos fogos
(Monção, Tondela, Vagos e Gouveia), vai manter-se em funcionamento até 15 de
novembro. “Temos que assegurar que
nenhum animal morre por falta de alimento
”, afiançou Costa.
Questionado
pelos jornalistas sobre se já recuperou do choque das palavras do Presidente da
República sobre os incêndios, o primeiro-ministro negou qualquer “abalo” na relação com Marcelo Rebelo de
Sousa e mostrou-se otimista de que a “cooperação
exemplar
” vai manter-se.
Lição de gestão florestal
Após
visitar a plataforma logística, os membros do Governo deslocaram-se a uma
exploração pecuária na Boiça, Vila Nova de Poiares, onde receberam uma
autêntica lição de gestão florestal.
António
Eugénio explicou como as cabras do filho evitaram que o fogo lhe consumisse os
bens. Os animais “limparam” toda a área florestal e por isso criaram uma
barreira que impediu o fogo de avançar. “Se
não fossem as cabras isto era só mato e ardia até à povoação
”, afirmou o
agricultor, de 69 anos. “Não tivemos apoio de bombeiros. Cada um teve de
tomar conta de si
”, recordou, lembrando que se salvaram as 40 cabras, vacas
e a casa. Ardeu a palha e a maioria da alimentação, ainda assim “há grandes prejuízos”, lamentou.

Cátia
Vicente
| Diários As Beiras