FLORESTA – Baldios do distrito de Coimbra organizam-se em associação e reclamam mais investimento nas áreas que administram

0
5

A Associação Cooperação Entre Baldios do Distrito de Coimbra – COBALCO,
recentemente constituída, reuniu-se anteontem em Miranda do Corvo e concluiu
que os incêndios de 15 de outubro na região Centro tiveram um “impacto nas
áreas comunitárias baldias brutal
”. Adiantando que não se trata de um
balanço exato, constatou-se que são mais de 20 mil hectares de área baldia
ardida, principalmente nos concelhos de Arganil, Oliveira do Hospital e Vila
Nova de Poiares. Concretamente no concelho de Pampilhosa da Serra a área baldia
ardeu toda, refere a organização, o que totaliza sete mil hectares em nove
baldios.


A
associação afirma que, «atendendo a que
muitos dos baldios ardidos não têm capacidade financeira para a reflorestação e
recuperação
», o Governo tem de «tomar
medidas imediatas de apoio financeiro a fundo perdido para investimento
» na
recuperação de toda a «área comunitária
ardida
».


«Em baldios sem receitas significativas, o
apoio financeiro tem que ser a 100%, nomeadamente para reflorestação em
espécies autóctones
», defende. A Cobalco diz ainda ser urgente que «o Governo intervenha no sentido do
escoamento a preços justos das madeiras “salvadas” dos incêndios florestais
».
«A extensão e a violência dos incêndios
florestais originam que milhões de toneladas de madeira fiquem desvalorizados
ao ponto de pouco ou nada renderem. São áreas baldias e milhares de produtores
florestais que ficam sem (quase) nada
», é ainda referido.
Para
esta associação, «deve ser criado um
Programa de Apoio ao Desenvolvimento Rural com medidas concretas» que respondam
às «necessidades da agricultura familiar e da floresta, nomeadamente das áreas
comunitárias de baldios»
.
«A fim de apresentar estas e outras
reclamações, a Cobalco irá pedir com carácter de urgência uma reunião à Direção
Regional de Agricultura do Centro, para além da sua apresentação como
Associação de Baldios do Distrito de Coimbra
».
A
direcção da associação aprovou ainda na última reunião a sua filiação na Baladi
– Federação Nacional de Baldios, e a sua colaboração na Conferência Europeia de
Áreas Comunitárias, a realizar em Coimbra, em 2018, promovida por aquela
federação nacional.

As
centenas de incêndios que deflagraram no dia 15, o pior dia de fogos do ano,
segundo as autoridades, provocaram 45 mortos e cerca de 70 feridos, perto de
uma dezena dos quais graves. Esta foi a segunda situação mais grave de
incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógrão, em Junho.



Atendendo a que muitos dos baldios ardidos não têm capacidade financeira
para reflorestação e recuperação de toda esta área ardida, “o Governo tem
que tomar medidas imediatas de apoio financeiro a fundo perdido, para
investimento em reflorestação e recuperação
”, referem os dirigentes.

É urgente que o Governo intervenha no sentido do escoamento, a preços
justos das madeiras “salvadas” dos incêndios florestais, refere o
comunicado assinado por Isménio de Oliveira. A fim de apresentar estas e outras
reclamações a Cobalco vai pedir, com carácter de urgência, uma reunião à
Direção Regional de Agricultura do Centro, para além da sua apresentação como
Associação de Baldios do Distrito de Coimbra.
A nova entidade regional expressa “solidariedade e luto pelas
vítimas mortais
” dos incêndios de Pedrógão Grande e Góis, que
eclodiram em 17 de junho, e daqueles que devastaram outros municípios da
região Centro, nos dias 15 e 16.