CIÊNCIA VIVA – O céu de novembro de 2017

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O
inicio deste mês é marcado pela presença de Vénus junto à estrela Espiga da
constelação da Virgem. Este planeta será visível durante todo o mês como
estrela da manhã.
Na
madrugada de dia 4 terá lugar a Lua Cheia. Uma madrugada depois dar-se-á o pico
de atividade da chuva de estrelas Táuridas do Sul. O seu nome deve-se a que
estes meteoros, pequenas rochas e poeiras associadas ao cometa Encke, parecerem
surgir de uma região do céu (o radiante) pertencente à constelação do Touro
situada ligeiramente abaixo do radiante de outra chuva de meteoros (as Táuridas
do Norte).
Embora
esta chuva de estrelas seja de longa duração (cerca de um mês) é de fraca
intensidade, não chegando à meia dúzia de meteoros por hora no pico de
atividade. Além disso, por estes dias a presença da Lua ao pé da constelação do
Touro irá dificultar ainda mais a sua observação.
Aquando
do quarto minguante, i.e. no início da noite de dia 10, a Lua estará ao lado da
constelação do Caranguejo e pelo seu aglomerado estelar Presépio.
Uma
semana após o pico de atividade da chuva de estrelas Táuridas do Sul chega a
vez da sua congénere do norte. As Táuridas do Norte terão uma intensidade
idêntica à da sua vizinha a sul, mas a presença da Lua junto à constelação do
Leão não dificultará tanto a sua observação. Nesta mesma madrugada de dia 12, a Lua situar-se-á abaixo
da constelação do Leão.
Dia
13 Júpiter estará em conjugação com Vénus, i.e. numa direção muito próxima
deste. Só a partir desta altura do mês é que Júpiter começará a ser visível,
nascendo ao final da noite.
Na
véspera da Lua Nova de dia 17 ocorrerá o pico de atividade da chuva de estrelas
mais importante do mês: as Leónidas (cujo radiante se situa na constelação do
Leão). Estes meteoros estão associados ao Tempel–Tuttle. Assim, quando este
cometa se aproxima da nossa órbita (i.e. a cada 33 anos) temos chuvas de
estrelas particularmente intensas (tal como sucedeu em 1966). Este ano não será
o caso, contado no máximo com uma dezena de meteoros por hora em locais
realmente escuros.
Ao
início da noite de dia 20 encontraremos a Lua junto a Saturno, planeta que em
dezembro deixará de ser visível ao anoitecer. À sua direita estará Mercúrio,
planeta que atinge a sua maior elongação (afastamento relativamente ao Sol) no
dia 24. Saturno estará em conjugação com Mercúrio (i.e. na sua direção) dois
dias depois do quarto minguante de dia 26, Esta é uma boa ocasião para se
observarem estes dois planetas.
Para
terminar o mês podemos observar Marte a nascer ao pé da estrela Espiga na
madrugada de dia 29.
Boas
observações!
Fernando J.G. Pinheiro (CITEUC e OGAUC)


Legenda das figuras anexas:
Figura 1: Céu a sudeste pela uma hora da madrugada de dia 5,
com algumas estrelas e constelações de destaque (p.ex. a nebulosa de Órion –
M42). Igualmente são visíveis a posição da Lua ao início das madrugadas de dia
8 e 10 e os radiantes das chuvas de meteoros das Táuridas do Sul e do Norte.
 Figura 2: Céu da sudeste pelas seis horas e meia da
madrugada de dia 17. São visíveis algumas estrelas, planetas e constelações de
destaque junto com o radiante das Leónidas. Igualmente é visível a posição da
Lua ao final da madrugada dos dias 10 e 12.