COMUNICADO – Município sensibiliza população para minimização dos efeitos dos incêndios

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Apesar da destruição
florestal provocada pelos incêndios ser frequentemente encarada como um facto
consumado onde não há mais nada a fazer, existem consequências subsequentes à
eliminação do coberto vegetal que podem e devem ser minimizadas. 
Depois dos incêndios
e com a chegada das primeiras chuvas no Outono, podem ocorrer graves situações
de erosão dos solos e de degradação da qualidade das águas, o que já foi
constatado este ano em alguns locais.
No sentido de minimizar
estes efeitos devem ser adotadas medidas que, a curto prazo, consigam evitar
consequências mais graves relativamente à erosão dos solos, à ocorrência de
cheias e à degradação da qualidade da água, principalmente nas zonas de influência
de captação de recursos hídricos destinados a abastecimento humano:
• Não proceder à
mobilização de solos com a utilização de maquinaria pesada e à abertura de
novos acessos em zonas de declive mais acentuado afetadas pelos incêndios,
evitando assim um agravamento do processo erosivo, exceto quando absolutamente
necessário.
• Não proceder ao corte de
folhosas (carvalhos, castanheiros, sobreiros, azinheiras, bétulas, amieiros,
etc.) antes da próxima primavera, pois muitas das árvores irão perder a folha,
mas irão sobreviver e regenerar a copa nessa altura.
• Os medronheiros ardidos
devem ser cortados para promover a sua rebentação de toiça.
• Não realizar abate de
resinosas (pinheiros, pseudotsugas, ciprestes, etc.) que ainda possuam parte da
copa verde. Abater nesta fase apenas as que possuem a copa totalmente ardida e
aguardar pela capacidade de sobrevivência das que apresentam ainda parte da
copa viva.
• Nas zonas de maior risco
de erosão, devem-se dispor os troncos e ramos queimados, devidamente escorados,
segundo as curvas de nível, com o objetivo de constituir uma resistência ao
escorrimento superficial da água e ao arrastamento de sedimentos.
• Promover, nas encostas
com declives acentuados, nomeadamente junto às linhas de água e albufeiras, uma
gestão adequada que conduza a vegetação, através da sucessão ecológica e de
sementeiras ou plantações à cova, ao desenvolvimento da floresta autóctone,
mais resistente a esta calamidade.
• Promover a recuperação da
vegetação ripícola dos cursos de água, em áreas atingidas pelos incêndios,
através da propagação, por estacaria ou recorrendo à plantação, de espécies
autóctones arbóreas ou arbustivas e efetuar sementeira de herbáceas. Deste modo
estaremos a repor a capacidade de retenção de sedimentos nas margens, evitando
o assoreamento das linhas de água e consequentemente o risco de cheias. 
• Devem ser respeitadas as
normas de boas práticas florestais na extração e transporte de madeira em zonas
ardidas, de forma a minimizar os efeitos erosivos destas intervenções.
Tem-se verificado
iniciativas para ajudar a rearborizar as áreas ardidas. Estas iniciativas,
individuais e coletivas são louváveis, mas necessitam de ser organizadas e
estar de acordo com a lei: não obstante bem-intencionadas, têm perigos que urge
evitar! Não basta plantar ou lançar as sementes ao solo. Há que proteger o
solo, cuidar da planta e posteriormente da árvore. Além disso, existe
legislação específica que obriga à obtenção de autorização a plantação,
independentemente da técnica de preparação de terreno e da espécie.