SECA EXTREMA – Por causa da seca, a barragem da Aguieira está em “Gestão Prudente”

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Portugal
tem todo o território em seca extrema e 
o Governo já faz campanhas de
apelo à poupança de água
 dirigidas aos cidadãos. A produção
hídrica da EDP 
sofreu uma
quebra de 40% face ao ano passado
, mas este valor vai aumentar
porque a elétrica nacional 
tem seis
albufeiras sob gestão “prudente”, sendo que duas delas estão mesmo paradas,
 por
causa da seca, 
avançou ao ECO fonte oficial da
EDP.

A central de
Vila-Tabuaço, no rio Távora, e a central de Santa Luzia pararam a produção de
eletricidade, porque a água existente nas respetivas albufeiras se destina
agora apenas ao consumo público, porque as regras definidas nos contratos de
concessão determinam que “o consumo humano é sempre considerado prioritário”.



A gestão
das albufeiras da EDP é feita em articulação com a Agência Portuguesa do
Ambiente (APA) e rege-se pelos contratos de concessão. “Os limites (máximos e
mínimos) de exploração das diversas albufeiras, bem como eventuais
condicionantes, são definidos nos contratos de concessão. Na exploração das
suas albufeiras, a EDP considera todas estas limitações contratuais, bem como 
eventuais
pedidos e/ou necessidades de outras partes interessadas, como, por exemplo,
Câmaras Municipais,
 empresas de abastecimento de água e Proteção
Civil
“, explicou ao ECO, fonte oficial da empresa. “Todas estas
decisões são tomadas em articulação permanente com a
 APA,
que recebe informação das albufeiras da EDP em tempo real
“, acrescenta a
mesma fonte.
A
situação particular de seca que o país tem atravessado obrigaram a EDP a
começar mais cedo, “ainda no final da primavera”, uma “gestão mais prudente das
albufeiras, limitando a sua exploração de modo a manter reservas de água para
outros usos
”. Para a elétrica liderada por António Mexia, este tipo de gestão
no período do verão é normal para acautelar o consumo humano e o regadio, mas a
maior seca que o país vive nos 100 anos obriga a medidas adicionais.
Assim,
além das duas centrais que já pararam a produção, a EDP foi
obrigada a condicionar a produção em Guilhofrei, Carrapatelo,
Aguieira/Raiva e Belver
.
No caso da barragem do Carrapatelo “a EDP acedeu a um pedido da Águas do Norte
para manter a cota da albufeira acima do que seria normal
”, para permitir que
esta empresa de abastecimento “efetue uma captação na capacidade máxima e
consiga abastecer a Régua”
, avançou fonte oficial. Por outro lado, na Aguieira
não só é necessário preservar as reservas necessárias para o consumo humano,
mas também acautelar as necessidades do regadio no Baixo Mondego. Finalmente,
em Belver, “foi acordado com a APA um modelo de exploração, implementado desde
junho, com o objetivo de minimizar a situação de baixos caudais no rio Tejo e
de permitir satisfazer as necessidades de regadio
”, acrescentou a mesma fonte.
De acordo com
os dados do Boletim de Armazenamento nas Albufeiras de Portugal Continental do
Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH) quase metade das 60
albufeiras do país têm 
disponibilidades hídricas
inferiores a 40% do volume tota
l
 e existe uma descida da água
armazenada em dez bacias hidrográficas. Resultados do longo período de seca e
do facto de 
o mês de
outubro ser o mais seco dos últimos 20 anos e 75,2% do território estar em seca
extrema
 (quase 25% está em seca severa).


Para se inteirar do problema, já Marcelo Rebelo de Sousa tinha visitado a Barragem da Aguieira no passado dia 31 de outubro, confirmando no local o nível preocupante das águas da albufeira que abastece vários concelhos da região, incluindo o de Penacova, e que desde o passado dia 16 de outubro se encontra a abastecer algumas freguesias dos concelhos de Viseu, Nelas, Penalva do Castelo e Mangualde, devido à seca que afeta a barragem de Fagilde no rio Dão