INCÊNDIOS – Pequenos agricultores pedem mais e mais rápidos apoios

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Foram algumas dezenas, em
representação de milhares, os agricultores oriundos das zonas afectadas pelos
incêndios de 15 de Outubro que ontem se manifestaram em Coimbra, junto à
Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro, exigindo novas formas de olhar
para a forma de apoiar aqueles que apenas fazem agricultura de subsistência.

A acção foi organizada pela
Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra (ADACO) e juntou pessoas dos
concelhos do alto do distrito, que não se mostraram intimidadas com a chuva
persistente, que tanta falta fez na altura da tragédia.

A delegação, que incluiu
dirigentes da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e do Movimento de
Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM), fez a entrega de um caderno
de reivindicações, reclamando das ajudas simplificadas de 5.000 para 10.000
euros, tendo em conta as especificidades da sua actividade.

«Queremos manifestar o nosso desagrado pela insuficiência das medidas
tomadas pelo Governo, que têm sido tomadas a conta-gotas e que não vêm ao
encontro dos imensos prejuízos que afectaram muita gente
», disse Isménio
Oliveira, da ADACO, frisando que as ajudas começaram pelo «apoio ridículo de
1.053 euros» nas candidaturas simplificadas «e só porque as organizações e os agricultores contestaram é que
passaram para 5.000 euros
».

Trata-se, no entanto, de um
valor que «não é suficiente» para fazer face aos prejuízos sofridos pelos
agricultores.

«Muitos dos pequenos agricultores têm prejuízos entre os 5.000 e os
10.000 euros, sendo da mais elementar justiça que, para enquadrar muitos dos
afetados, a ajuda simplificada (pagamentos a 100%) deva ir até aos 10.000 euros
»,
pode-se ler no caderno de reivindicações, que tem como destinatários o
primeiro-ministro, ministro da Agricultura e Comissão de Agricultura e Mar.

Também João Dinis, da CNA,
defendeu que o Governo e o Ministério da Agricultura estão a esquecer-se da
floresta.

«Dá a impressão que o ministério quer que a natureza venha resolver o
problema de milhares e milhares de hectares de floresta queimada, que é um
prejuízo brutal
», disse aos jornalistas, sublinhando que «nós estamos a reclamar, por exemplo, a
criação e gestão pelo Governo, em colaboração com as autarquias, de numerosos
parques de recepção de madeira queimada, que garanta um preço minimamente
reparador aos pequenos e médios produtores florestais
».

Foi ainda defendido ontem
que o Governo deve financiar “a 100% qualquer proprietário que queira
limpar as suas florestas ardidas, «sob
pena de em menos de quatro ou cinco anos os resíduos florestais serem em
tamanha quantidade que poderão proporcionar a ignição de incêndios ainda de
maior proporção
».

José Carlos Salgueiro – Diário de Coimbra