O Tempo

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O tempo tem um carácter forte e muito difícil de
compreender, porque é muito incerto e inconstante. Às vezes, consegue que o
adore, outras, deixa-me no limite da irritabilidade e, ainda por outras,
consegue mesmo desiludir-me e deixar-me em baixo. Portanto, eu e o tempo temos
uma espécie de relação “amor-ódio”. E, dependendo dos dias, podemos andar muito
bem os dois, como podemos andar de costas voltadas. O meu problema é que ele
acaba sempre por vencer. Não há hipótese, ele é mais forte e teimoso do que eu.
Eu bem insisto em brigar com ele, quando estou irritada, ou tentar que ele seja
mais compreensivo comigo, quando estou desanimada e ele teima em que eu o
acompanhe. Mas não há mesmo hipótese.
Na maior parte das vezes, o tempo tem muita pressa e eu nem
sempre tenho força para seguir com ele. Mas ele é tão chato e corre na mesma,
obrigando-me a correr atrás dele… Só que, noutras vezes, é tão indolente… Passa
tão vagarosamente… Quando eu quero que ele corra. Então, para me irritar,
insiste em ser casmurro e simplesmente demora ao avançar. Acho que ele embirra
em ser “do contra”. Mas a mim, só me resta a aturá-lo e ter muita paciência com
ele… Vou tentando aproveitá-lo, quando corre, e suportá-lo, quando demora.
Porém, e tenho de admitir, o tempo não tem só teimosias e
contradições. Ele também consegue ter muito boas qualidades. E é isso que eu
mais admiro nele. Por vezes, é bom conselheiro, sobretudo quando lhe presto
atenção e o sei escutar. Também consegue dar o seu apoio e ajuda em momentos
difíceis e, então, quando estou a sofrer, sabe como ajudar a atenuar a dor.
Consegue ser um bom ouvinte e, de igual modo, consegue abrir-me os olhos muitas
vezes, evitando que eu caia. Tanta queda que ele já me preveniu… Tanta sorte
que ele já me deu… E só lhe tenho de agradecer por isso.
É certo que, às vezes, fico um bocado triste com ele.
Principalmente, quando não me ajuda e me deixa cheia de arrependimentos. E
depois, ainda tem a lata de dirigir-se a mim com aquele ar de quem diz “Eu bem
te avisei”. Como sempre, tem razão. E como sempre, tenho de concordar com ele e
ceder.
Como tudo, o tempo tem os seus defeitos e as suas
qualidades. Mas há uma coisa que não podemos mesmo negar… Temos de saber respeitá-lo. É que o tempo é um grande sábio e tem tanto para nos
ensinar!…
Mariana Assunção