SOLIDARIEDADE – Diáspora por Portugal Sem Fogo angaria fundos para prevenir incêndios em 2018

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Ajudar na prevenção e sensibilização para os incêndios em Portugal
é o principal objectivo de um grupo de emigrantes residentes no Reino Unido,
que realiza esta sexta-feira um primeiro evento, um jantar, de angariação de
fundos, em Londres.
A “Diáspora por Portugal Sem Fogo” foi
formada na sequência dos incêndios de 15 de outubro, que provocaram 45 mortos e
cerca de 70 feridos, perto de uma dezena dos quais graves, e que se somaram,
segundo a contabilização oficial, aos 64 mortos e mais de 250 feridos
(registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste
fogo) -, do fogo de junho em Pedrógão Grande, que alastraram a municípios
vizinhos.
Muitos dos
elementos fundadores são de localidades da região centro, como Viseu, Oliveira
de Frades, Coimbra e Penacova, algumas das quais afectadas directamente pelos
incêndios deste verão.
Apesar de estarmos a viver cá fora, como é
óbvio não poderíamos ficar indiferentes e quisemos de alguma maneira sentir que
estávamos a contribuir e a ajudar
”, disse Diana Gomes, um dos elementos
fundadores.
Natural de
Leiria, esta analista financeira juntou-se a outros compatriotas, que têm
profissões diferentes, como web designer e funcionários nos serviços médicos
britânicos.
Vários dos
membros do grupo são também bombeiros voluntários em Portugal, activos ou na
reserva, e, por isso, sensíveis ao tema.
A nível individual, vários membros do grupo
ajudaram através do envio de donativos em géneros, em bens de necessidade
imediata, como roupa, bens alimentares, pequenos electrodomésticos ou roupa
para casa, que foram transportados de diferentes partes do Reino Unido para
Portugal. Outros que estavam no terreno na altura coordenaram-se com bombeiros
voluntários e outras organizações que estavam a actuar
”, contou à agência
Lusa.
Passada a fase
de ajuda mais urgente, o grupo quer agora centrar-se em acções que possam
contribuir para “colmatar algumas falhas
na prevenção e combate dos incêndios florestais, a maioria, vincou, causados
por humanos, quer por descuido, negligência ou por malícia.
Uma das
propostas práticas discutidas foi apostar no uso de novas tecnologias e
adquirir drones, que seriam entregues a organizações ou corporações de
bombeiros em Portugal.
“A ideia seria adquirir equipamentos que poderiam ser utilizadas
tanto na prevenção como na detecção mais rápida de um foco de incêndio. Usando
a tecnologia de vídeo, essa informação pode ser usada para os bombeiros fazerem
a análise de comportamento do fogo e ajudar na estratégia de combate
”, adiantou Diana Gomes.
A nível da
sensibilização da comunidade, pensaram em mobilizar escuteiros e bombeiros
voluntários para fazerem palestras em escolas e alertarem para a necessidade de
limpeza das zonas florestais e para os riscos de certos comportamentos, como o
uso de fogos para grelhados ou o descartar de beatas de cigarros.
De forma simples, mas tentando chegar às
crianças, acho que ajudaria na educação e na sensibilização
”, enfatizou.
Durante o
jantar de sexta-feira, vão ser sorteadas estadias em hotéis, cabazes de Natal e
uma cópia da icónica fotografia da autoria do bombeiro Hélio Madeiras, que
mostra uma coluna de fumo em pano junto a Vieira de Leiria.
O grupo, que é
activo nas redes sociais
[https://www.facebook.com/diasporaporportugalsemfogouk/], quer também envolver
britânicos e pessoas de outras nacionalidades para além da comunidade
portuguesa para esta missão.
Londres é uma mistura de pessoas todo o
mundo e queremos sensibilizar os nossos amigos para o que se passou. Há uma
certa confusão sobre como é que isto aconteceu. E há muito interesse em ajudar
”,
garantiu.

Agência Lusa