SAÚDE – Ordem dos Médicos do Centro alerta para resposta errada à epidemia da gripe

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A Secção Regional do Centro da Ordem dos
Médicos (SRCOM) lamenta a falta de planeamento e a ‘profunda incompetência’ do
Ministério da Saúde para enfrentar o surto da gripe, uma vez que em vez de
preparar atempadamente este momento que se repete anualmente, o Ministério da
Saúde utiliza a mesma fórmula ineficiente.
Face a estas “medidas avulsas” e no atual contexto dos cuidados de saúde
primários, a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos não pode ficar
indiferente à sistemática escassez de recursos humanos e recurso técnicos da
maioria dos centros de Saúde da região Centro.
Sem
falar com as equipas de cada centro de saúde e sem conhecer em detalhe a
população mais vulnerável, de nada adiantará divulgar medidas desgarradas que
já provaram ser completamente ineficazes
”, alerta Carlos Cortes, “tais como abrir aos fins-de-semana centros
de saúde sem condições para evitar o recurso da população às urgências
hospitalares. O resultado está à vista: o caos
”.
Esta
não pode ser a resposta do Ministério da Saúde para fazer face à gripe. Há
centros de Saúde que nem têm forma de fazer nebulizações, a maioria nem
oxímetros tem. Casos existem que nem injetáveis ou medicação mais simples
possuem
”, denuncia.
Para o presidente da SRCOM, “é preciso apostar numa forte campanha de
informação às populações durante o ano. A literacia em Saúde não pode ser
apregoada só nos momentos de crise. Num estudo recente realizado em dezembro de
2017, Portugal foi considerado dos países da Europa com literacia em Saúde
inadequada mais frequente (72,9% da população)
.”
A Ordem dos Médicos alerta, há vários
anos, para estes factos e para a necessidade de 
corrigir estas tremendas
desigualdades que alargam o fosso entre a expectativa dos cuidados de saúde dos
utentes e a realidade. O Serviço Nacional de Saúde continua a resistir com a
ajuda de profissionais empenhados e dedicados. 
Não basta dizer que existe um plano de
contingência nas unidades de saúde. Trata-se de uma medida que denota falta de
planeamento e desconhecimento dos motivos que leva ao aumento do fluxo de
doentes aos hospitais
“, afirma Carlos Cortes. Acrescenta ainda:
Estamos a administrar a solução
dos problemas de forma pontual, sem contexto nem planeamento. Com esta visão
redutora, estamos a agravar as condições de funcionamento dos centros de saúde
e a entupir os serviços de urgência dos hospitais. Nas urgências dos hospitais
da Região Centro, o principal responsável do caos a que estamos a assistir não
é a gripe. É a incapacidade do Ministério da Saúde em dar resposta necessária a
este flagelo