ANIVERSÁRIO – A Filarmónica de São Pedro de Alva celebrou 52 anos com desejos e apreensões

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Foi no passado dia 12 de Dezembro que a Filarmónica da Casa do Povo de São
Pedro de Alva festejou os seus 52 anos de existência, mas sem que pairassem no
ar algumas apreensões quanto ao seu futuro, dado que, no dizer do seu
presidente, José Pedro Correia, «os alunos continuam a ser poucos, o que já
nos levou a suspender alguns professores, que voltarão quando houver alunos e
também não houve nenhuma estreia hoje
» e vincou: «se tudo se mantiver
assim não há futuro…
».
A festividade iniciou-se com romagem ao cemitério, seguida da celebração da
missa dominical, pelo padre Manuel Pinto, que não deixou de vincar quanto é
necessária a banda na sua paróquia, em termos musicais e educacionais.
Recordando os que tanto deram por ela e desejando que os actuais persistam e
não a deixem morrer, foi o Dr. Luís Morgado, em nome da Fábrica da Igreja e das
instituições locais, aproveitar para agradecer a forma como todos souberam
receber o Bispo de Coimbra, na sua Visita Pastoral.
Desde a Igreja ao Largo Dr. António José de Almeida as duas Filarmónicas, a
de S. Pedro de Alva e da Casa do Povo de Penacova, a convidada deste ano, foram
a tocar até à Casa do Povo, que assim saudaram as inúmeras que ali se
encontravam.
As apreensões continuam… mas a comunidade tem uma palavra a dizer
Depois do almoço, ao qual aderiram muitos amigos da Filarmónica
aniversariante, o presidente da Direcção, o jovem João Pedro Correia, depois de
agradecer a presença de muitos amigos, associações, colectividades e
autarquias, confessou que «a situação que a Filarmónica vive ou tem vivido
nos últimos tempos não nos agrada, enquanto Direcção e certamente não agradará
ao maestro, e aos músicos
», que embora sendo poucos, tudo fazem o que está
seu nosso alcance, «para que possamos manter viva a nossa Filarmónica».
Contudo, como afirma João Correia, «a Filarmónica não é apenas o querer de
quem veste a farda, mas será muito aquilo que a comunidade quer que a sua
Filarmónica seja
», inclusivamente «tem de estar com a sua Filarmónica,
levá-la à sua aldeia e tem de se orgulhar com a sua Filarmónica
».
Uma nova farda e a gravação de CD
Querendo que a Filarmónica ultrapasse este mau momento, no sentido de que a
comunidade seja da Filarmónica e se orgulhe dela e que «para o ano possamos
dizer-vos que temos uma Escola de Música com muitos alunos e novos músicos na
Filarmónica
», o Presidente deixou mais dois desejos para este ano: a
aquisição de uma nova farda e a gravação de CD.
«A falta de crianças é uma realidade que nos torna mais pobres…»
O presidente da Casa do Povo, Bruno Trindade, não só enalteceu os 52 anos
decorridos, bem como aqueles que deram vida à Filarmónica, com trabalho e
dedicação, reconheceu que as dificuldades continuam, as quais se prendem com a
falta de crianças, «uma realidade que nos torna mais pobres enquanto
sociedade»
, mas deixou claro que «por vezes é nas dificuldades que
sur­gem novos desafios, novas oportunidades e uma nova vida
», e neste
sentido diz ser importante estabelecer uma estreita relação de trabalho e
articulação com a Escola de Artes, visto ser um espaço de música qualificada,
gratuita, sem quaisquer custos para os interessados e por isso, como disse, «recrutar
novos executantes para a Filarmónica e a formação dos mesmos passa por aqui
».
Agradecendo ao João Pedro e aos restantes elementos da Direcção, o Presidente
da Casa do Povo afirmou que «estamos, como sempre, unidos com um objectivo,
a continuidade da nossa Filarmónica, baseada em esforço, dedicação, respeito e
união
».
Todos temos a quota-parte de responsabilidade»
Reiterando os anteriores oradores, Vítor Cordeiro, Presidente da União de
Freguesias, afirmou que, de facto, «todos temos a quota-parte de
responsabilidade
», pois de uma forma ou de outra todos têm de fazer algo,
quando mais não seja onde em cada casa houver crianças que as motivem para a
Filarmónica, já que em termos financeiros o dinheiro sempre apareceu. Não
esqueceu de trazer uma lembrança para a Filarmónica, apoio que se destina ao
estágio que se vai realizar, e deixou palavras de incentivo e esperança para
todos.
Não trago envelope mas estará a chegar…»
João Azadinho, vice-presidente da Câmara e Penacova, ao ver ali o espelho
de união entre duas associações do concelho, não esqueceu o depois do 15 de Outubro
findo, que faz com que, enquanto autarca, veja as coisas de outro modo. Vivendo
muito a Casa do Povo, disse que estará disposto a apoiar, não só mone­tária
como pessoalmente, desejando que seja um ano com mais força, e confessou que «não
trago envelope, mas estará para chegar
».
Os corpos sociais
Entretanto a Secção da Filarmónica da Casa do Povo de S. Pedro de Alva
elegeu novos elementos directivos. Acompanhando o presidente, João Pedro
Correia, o vice-presidente é Abel Fagim; o secretário, António Catela; o
tesoureiro, Cristina Ferraz; e os vogais, Ana Luísa Vieira, João Correia
Almeida e Sílvio Henriques.
José Travassos de Vasconcelos – a Comarca de
Arganil