INCÊNDIOS – Humberto Oliveira critica a demora do apoio do Estado

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A falta de um apoio do Estado
para recuperar as casas de segunda habitação destruídas pelo incêndio de
outubro de 2017 preocupa a Câmara de Penacova, cujo presidente, Humberto Oliveira,
alerta para o risco de abandono.

Corremos o risco de algumas ficarem abandonadas“, afirma
Humberto Oliveira à agência Lusa, ao fazer um balanço dos três meses dos fogos
que atingiram a região Centro, nos dias 15 e 16 de outubro.

O autarca do PS junta-se a
outros eleitos e associações de vítimas dos fogos que reclamam uma ajuda
financeira do Estado, a fundo perdido, para as segundas habitações atingidas
pelas chamas.

Não há nenhuma solução“, sendo “preciso ir um pouco mais além” no apoio público a estas
situações, defende.

Humberto Oliveira, que cumpre
um terceiro e último mandato no município, considera que a linha de
financiamento para a reconstrução de segundas residências, criada pela Caixa
Geral de Depósitos, “não resolve
o problema.

O presidente da Câmara de
Penacova realça que “muitas
famílias
“, que moram e trabalham em diversas localidades, sobretudo em
Coimbra, mas igualmente emigrantes, utilizam com regularidade as casas que têm
no concelho de origem.

Em dezembro, também o seu homólogo
da Pampilhosa da Serra, o social-democrata José Brito, disse que tem vindo
a sensibilizar o Governo
e o próprio primeiro-ministro, António Costa, para esta dificuldade.

Se estas pessoas não tiverem casa, deixam de vir ao concelho“,
explicou à Lusa José Brito, ao preconizar que será necessário o Estado, em
articulação com as autarquias, desbloquear “ajudas também nestes casos“, a fim de minimizar impactos
negativos, tantos sociais como económicos.

Das mais de 600 casas deste
concelho montanhoso, no distrito de Coimbra, atingidas pelos fogos no ano
passado, a maior parte delas em outubro, cerca de 250 são de primeira
habitação.

Há “muitas outras” que não “são bem de segunda habitação“, mas sim de famílias naturais da
Pampilhosa da Serra que vivem fora, maioritariamente na zona de Lisboa, e
regressam frequentemente
à terra natal ao longo do ano.

Neste ponto, idêntica posição
é defendida pela Associação das Vítimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal, com sede em Oliveira do Hospital, e pelo Movimento Associativo de
Apoio às Vitimas dos Incêndios de Midões, no concelho de Tábua.

A recuperação destas
habitações em Penacova tem sido, segundo Humberto Oliveira, “uma preocupação apresentada pelas pessoas
que continuam a demandar os serviços camarários três meses após o incêndio.

Os fogos de outubro causaram
cinco mortos neste concelho e destruíram 56 casas de primeira habitação, além
de outras de segunda residência ou devolutas, de acordo com o levantamento da
autarquia.

Já temos algumas recuperações concluídas” a nível dos imóveis
de primeira habitação, mas noutros casos “há um apoio que tarda” devido ao processo burocrático, refere.

Alguns produtores de Penacova
que praticam uma agricultura de subsistência “já receberam ajudas” até 5.000 euros a que têm direito.

Só que “isso não possível” relativamente a
uma habitação: “É um tempo
demasiado longo para quem foi afetado
“, lamenta o presidente da
Câmara.

Em outubro, o fogo originou
prejuízos na ordem dos três milhões de euros em 29 empresas locais.

Humberto Oliveira antevê ainda
dificuldades no setor florestal, com eventual “impacto no emprego nos próximos anos“.

No imediato, está em causa
a capacidade de se poder ou não
absorver toda a madeira
” queimada, com o autarca a manifestar-se
preocupado com o futuro da atividade dos madeireiros, quando a matéria-prima
estiver esgotada.


Agência Lusa