INCÊNDIOS – Só metade das famílias pediu ajuda para reconstruir habitações

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«Estão resolvidas 918 situações: 773 com formulário preenchido e 145
comunicaram que não necessitam de apoio, pois têm seguro. Estamos a falar de
54% das 1.707 primeiras habitações destruídas, parcial ou totalmente, nos
incêndios de Outubro, com pedidos formalizados ou situação resolvida
»,
resumiu, ontem, ao Diário de Coimbra, Ana Abrunhosa, na véspera do fim do
prazo, a 31 de Janeiro, dado para a apresentação de candidaturas.

A presidente da Comissão de
Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), entidade que recebe
as candidaturas ao Programa de Apoio à Reconstrução de Habitação Permanente,
que prevê a concessão de apoio às pessoas singulares e agregados familiares que
residam de forma permanente em habitações danificadas ou destruídas pelos
incêndios de 15 de Outubro, confirmou, ainda, que «694 habitações ficaram totalmente destruídas».

Apesar de pouco mais de
metade das primeiras habitações afectadas pelas chamas no dia 15 de Outubro
terem sido alvo de candidaturas a ajudas do Estado para reconstrução, Ana
Abrunhosa acredita que, «à boa maneira
portuguesa, nos últimos dois dias vamos fazer aquilo que não fizemos em dois
meses
». A presidente da CCDRC reconheceu que se tratam de «situações muito complexas»,
descartando, no entanto, qualquer prorrogação do prazo. «Não há razão para
prorrogar. Já passaram três meses. Amanhã [hoje], ao final do dia, vamos
perceber os pedidos que chegaram e perceber a diferença», declarou.

Ana Abrunhosa, que
aproveitou para garantir que «nenhuma habitação, que se enquadre no programa,
ficará sem apoio
», antes mesmo de apelar a que os lesados pelos incêndios de
Outubro do ano passado «
apresentem as
candidaturas mesmo que falte algum documento
». Questionada sobre a
dificuldade que as pessoas sentem para se candidatarem aos apoios do Estado, a
presidente da CCDRC assegurou que «o que é pedido é básico». «
A pessoa tem de demonstrar que a casa é
sua, que vivem nela e que sofreu danos decorrentes do incêndio de Outubro de
2017. É uma burocracia mínima, mas tem de ser exigida. Não será a falta de um
documento ou dois que vai impedir que iniciemos o procedimento de apoio
»,
garantiu.

Ana Abrunhosa rebateu,
então, as críticas de Luís Lagos, presidente da Associação de Vítimas do Maior
Incêndio de Sempre em Portugal, que acusou as entidades centrais de
«falta de diálogo e proximidade no terreno».
«
Fizemos tudo o que foi possível para
dar todo o apoio e as autarquias também. Tenho de destacar, ainda, os
presidentes de junta, que estiveram muito activos neste trabalho
»,
assegurou a presidente da CCDRC, que logo tratou de questionar Luís Lagos: «
Se diz isso, reconhece que não fizeram o
trabalho deles. Informar era o papel da associação, se não informou…
»

João Henriques – Diário de
Coimbra