DEPENDÊNCIAS – Centro lidera com mais mortes por abuso de álcool

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A região Centro é “líder” de
mortes por abuso de álcool, incluindo a psicose alcoólica, estando também entre
aquelas em que há maior prevalência de “binge” (quando há ingestão de seis ou
mais doses de álcool para os homens e cinco ou mais para as mulheres na mesma
ocasião) – nomeadamente entre os 15 e os 34 anos -, além de consumos de risco
ou dependência de bebidas alcoólicas, ultrapassando, nestes casos, a média
nacional.

Estes são apenas alguns dos
dados mais significativos, no que respeita à região Centro, do Relatório Anual
do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências
(SICAD) sobre “A situação do país em
matéria de Álcool 2016
”, que destaca, em Portugal precisamente um aumento
da frequência de “binge”, assim como um agravamento dos consumos de risco ou
dependência, comparado com o ano de 2012.

O documento, apresentado
esta semana na Assembleia da República, aponta também para um aumento
«preocupante» do consumo de álcool – em especial de “binge” – nas mulheres e
nas faixas etárias mais velhas, em parte compensado com um decréscimo registado
no consumo por homens e pela população mais jovem.

No que respeita à região
Centro, há vários dados relevantes a destacar neste relatório. O facto de
liderar em número de mortes por abuso de álcool, incluindo a psicose alcoólica,
é um dos mais determinantes. De acordo com o SICAD, dos 84 óbitos em Portugal
em 2015 relacionados com o consumo excessivo de bebidas alcoólicas (menos cinco
do que em 2014 e igual a 2013), 33 foram registadas no Centro do país, logo
seguido do Norte (19), de Lisboa (15) e da Madeira (8).

A região Centro tem também
um peso representativo no aumento do número de óbitos por doença alcoólica do
fígado observado no país. Em 2015 foram registadas 643 mortes, 42% das quais na
região Norte. Segue-se Lisboa (24%) e logo depois a região Centro, com 19% dos
casos, o que representa 121 óbito.

De sublinhar que o Centro,
assim como a Madeira e os Açores, foram, de acordo com o documento, as únicas
regiões do país em que houve aumento do número de mortes relacionadas com o
abuso de álcool, contrariando a tendência para decréscimo de óbitos registados
entre 2014 e 2015 em todas as outras regiões do país.

Consumos
acima da média nacional

No que respeita a consumos,
a região Centro destaca-se, pela negativa nas prevalências de “binge”,
nomeadamente na população entre os 15 e os 34 anos, assim como em consumos de
risco e dependências. No caso do “binge”, apesar de se ter registado, neste
intervalo etário, uma diminuição da prevalência entre 2012 e 2016/2017 (de
19,3% para 14,8%), os valores estão acima da média nacional (11,4%) e entre os
mais elevados do país, só ultrapassados pela Madeira e pelos Açores (18% e 32%,
respectivamente).

No que diz respeito à
população em geral, o documento aponta para um aumento da prevalência de
“binge” entre o ano de 2015 e 2016, na região Centro, assim como (mais uma vez)
valores acima da média nacional. O mesmo acontece em relação ao consumo
excessivo nos últimos 12 meses e aos estado de embriaguez, só ultrapassados, em
2016, pelo Alentejo e pelo Algarve.

Quanto aos consumos de risco
e à dependência, os dados são, mais uma vez, igualmente preocupantes no que
respeita à população entre os 15 e os 34 anos – jovens e jovens adultos -, com
a agravante de, pelo menos no que respeita aos consumos de risco elevado ou
nocivo, ter havido, de acordo com o documento, um aumento das prevalências
observadas na região entre os anos de 2012 e 2016/2017(de 0,7% para 3,3%).

O relatório dá ainda
destaque aos dados relativos a internamento. E, também aqui a região Centro
esteve, em 2016, entre as que viu registada maior percentagem de internamentos
(23%) – logo a seguir ao Norte (37%) e a Lisboa (30%) -, tendo sido a única (as
outras regiões mantiveram os números equilibrados) em que se observou aumento
de indivíduos internados por motivos relacionados com consumo de álcool entre
2015 e 2016.

44%
dos casos de violência doméstica são por álcool

Um dos assuntos abordados
neste relatório do SICAD é a relação entre os casos de violência doméstica e o
consumo de álcool. E, também aqui, as percentagens referentes ao distrito de
Coimbra ultrapassam os valores nacionais. No ano de 2016 houve, de acordo com o
documento, 27.291 casos de violência doméstica em Portugal, 40,7% dos quais
relacionados com problemas de consumo de álcool.

Em Coimbra, a
percentagem é de 44,4% para um total de 1.083 casos registados de violência
doméstica em 2016. No relatório, que faz a evolução dos casos de violência
doméstica, entre 2013 e 2016 e a sua relação com o consumo de álcool em todos
os distritos portugueses e ainda nas regiões autónomas da Madeira e Açores, é
evidenciada a tendência para haver uma relação entre os casos de violência
doméstica e o alcoolismo (percentagens sempre próximas dos 45%), com
percentagens acima das nacionais. Também fica evidente uma tendência para
aumento dos casos em Coimbra, depois de uma diminuição entre 2014 e 2015 (1.130
em 2014, 1.049 em 2015 e 1.083 em 2016).


Ana Margalho – Diário de Coimbra