INCÊNDIOS – Agricultores lesados exigem reabertura das candidaturas

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Mais de três mil
agricultores afectados pelos incêndios de Outubro não apresentaram candidatura
aos apoios simplificados até 5 mil euros, alertou ontem Isménio Oliveira,
coordenador da Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra (ADACO).

Num protesto que reuniu mais
de 100 agricultores e produtores florestais, junto à Direcção Regional de
Agricultura e Pescas do Centro, em Coimbra, foi exigida a reabertura imediata
das candidaturas. Conforme referiu Isménio Oliveira, há lesados que não
conseguiram apresentar candidaturas por diversas razões, alguns dos quais até
estavam hospitalizados, na sequência dos incêndios.

«Há dois pesos e duas medidas. Nós não aceitamos», sublinhou o
dirigente associativo, lamentando o «finca-pé»
do Governo.

«O senhor ministro da Agricultura [Capoulas Santos] que tenha vergonha
na cara e explique aos portugueses porque é que trata os lesados dos incêndios
de Pedrógão de uma maneira e os lesados dos incêndios de 15 e 16 de Outubro de
outra. Em Pedrógão houve três meses para fazer as candidaturas simplificadas,
nos incêndios de 15 e 16 de Outubro só houve um mês
», sublinhou.

No âmbito do protesto,
organizado pela ADACO, pelo Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos
Incêndios de Midões (maavim) e pela Confederação Nacional de Agricultura (CNA),
foi entregue na DRAP Centro um caderno reivindicativo, porque «as falhas continuam a haver no terreno»,
criticou Nuno Pereira, da maavim, realçando que importa também que o Governo
actualize as tabelas de preços, porque, exemplificou, «uma ovelha está a 65
euros e ninguém compra abaixo de 100 euros
».

«Há uma série de trapalhadas», acrescentou, lembrando o concurso que
está a decorrer até 2 de Abril para aquisição de equipamentos para limpar
florestas, quando o prazo para a limpeza das florestas termina hoje. Aliás,
esta foi outra das questões que motivou os protestos dos agricultores, que
depositaram junto à DRAP algumas alfaias destruídas pelo fogo. «Ora, se os agricultores não têm capacidade
financeira para limpeza e corte das áreas florestadas, como podem pagar pesadas
coimas?»,
questionam.

Na manifestação, Nuno
Pereira alertou ainda para os muitos estrangeiros lesados que, por
desconhecimento, também não apresentaram candidaturas a apoios. É o caso de
Tina, uma imigrante belga, residente em Sandomil, Seia, que perdeu tudo, desde
casa de habitação à quinta.
Patrícia
Isabel Silva
– Diário de Coimbra