CIÊNCIA VIVA – o Céu de Abril de 2018

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Já devem ter reparado naquela espécie de “super estrela” que se
tem visto ao anoitecer, na direção do pôr-do-Sol. Na realidade, essa “super
estrela” é o planeta Vénus, que nesta altura em que aparece ao anoitecer é
também conhecido como “estrela da tarde”.

Como se está a
afastar do Sol (no céu) Vénus vai ficar visível cada vez mais tempo durante os
próximos meses. O planeta vai manter este movimento até agosto, altura em que
vai atingir a maior elongação (ponto de maior afastamento do Sol).

Dia 2, Marte está em conjunção (ponto de maior aproximação) com
Saturno, com os dois planetas a nascerem por volta das 3 da manhã. A distância
entre os dois é de cerca de 1 grau (sensivelmente a espessura do dedo mindinho,
quando observado à distância de um braço esticado). Embora tenham brilhos
semelhantes, Marte é o ligeiramente mais brilhante e mais alaranjado dos dois.

Ainda mais
perto de Marte, mas para o lado oposto a Saturno, está o enxame globular M22.
Sendo um objeto difuso, com magnitude 5,1, para o observar será melhor recorrer
a um binóculo, e de preferência em locais com céus escuros.

Se não
conseguirem ver o enxame M22 no dia 2, tentem novamente no dia 5. Por causa do
movimento de Marte, nesse dia o M22, Satur
no e Marte desenham um triângulo
equilátero no céu, com o enxame à direita de Marte.

Dia 4 a Lua passa a 5 graus de Júpiter, com ambos a nascerem por
volta das 23h30.

Dia 7, a Lua está atrás de Saturno e Marte, a cerca de 4 graus do
primeiro e 6 graus do segundo. No dia seguinte a Lua, que avança cerca de 12
graus no céu por dia, está à frente dos dois planetas, a 5 graus de Marte e a
quase 8 graus de Saturno.

Dia 16 o nosso satélite natural atinge a fase de lua nova. O dia
seguinte apresenta o desafio de observação do mês, quando um finíssimo
crescente da Lua (com menos de 4% da sua superfície iluminada) a passar a 5
graus de Vénus, ao anoitecer.

Dia 18 ocorre o pico da “chuva” de meteoros das Líridas, previsto
ocorrer entre as 10h00 e as 21h00, mas com maior probabilidade de ocorrer por
volta das 18h00. No pico, o número de meteoros por horas deve rondar os 18, mas
esta é uma chuva com máximo variável, que pode chegar até aos 90 meteoros por
hora. Por isso, e apesar da constelação da Lira só nascer por volta das 23h00,
deve valer a pena olhar para o céu a partir do anoitecer.

Dia 22 a Lua atinge o quarto crescente, e no último dia de abril a lua
cheia passa a apenas 3 graus de Júpiter.
Boas
observações.
Ricardo Cardoso
Reis
 – Ciência na Imprensa
regional Ciência Viva
Legendas das Figuras anexas:
Figura
1: O céu virado a Sul, às 5 da manhã do dia 5 de abril de 2018, focado na
constelação do Sagitário. Um pouco acima da constelação está o triângulo
equilátero composto por Saturno, Marte e o enxame de estrelas M22. (Imagem:
Ricardo Cardoso Reis/Stellarium)
Figura
2: O céu virado a Este, às 23h59 do dia 18 de abril de 2018, com indicação do
radiante da “chuva” de meteoros da Líridas. (Imagem: Ricardo Cardoso
Reis/Stellarium)