ACESSIBILIDADES – Investimento na requalificação do IP3 agrada a utentes e autarcas

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A Associação de Utentes e
Sobreviventes do IP3 já reagiu à requalificação do itinerário, entre Coimbra e
Viseu, numa obra que rondará os 134 milhões de euros e que prevê duas faixas em
cada sentido em 85% do seu percurso. O projecto foi apresentado, na passada
sexta-feira, pelo ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques,
a autarcas da região e a membros do Conselho Regional do Centro.

«Sempre defendemos que a solução passava por aumentar as condições de
segurança e não ter portagens»,
disse, ontem, ao jornal, Álvaro Miranda, membro
da Associação de Utentes e Sobreviventes do IP3, que, em comunicado,
congratula-se pelo facto de «a luta das populações ter valido a pena». «Esta decisão do Governo só peca por tardia»,
reforça a nota enviada à imprensa.

Apesar de só ter
conhecimento das intenções do Governo pela comunicação social, a associação
refere que «a proposta espelha em parte
as reivindicações
», assumindo, ainda, terem sido «os únicos que reivindicaram uma solução não portajada para esta via
estruturante para o desenvolvimento de toda esta região
».

«Agora que o anúncio foi feito, que não se percam mais uma vez em prazos
não cumpridos, se proceda de imediato à requalificação e alargamento de toda a
extensão do IP3 sem portagens
», acrescenta a tomada de posição da
Associação de Utentes e Sobreviventes do IP3, onde também se pode ler: «Os sucessivos acidentes que continuam a
acontecer ilustram bem a perigosidade da via e da urgência da sua
requalificação
». Álvaro Miranda defendeu que as obras devem abranger «100%
do IP3», até porque, transmitiu, «hoje
em dia, tudo é possível fazer
». «Se
não aproveitam agora para o requalificar e duplicar todo, vão acabar por ter de
o fazer daqui a uns anos
», perspectivou.

CIM
Viseu Dão Lafões diz estar “aquém dos desejos”

Também ontem, promotores do
Movimento pela Requalificação Completa e Adequada do IP3 congratularam-se por
esta via ir ser requalificada e, numa primeira fase, ficar com perfil de
auto-estrada em 85% do trajecto, sem portagens. Em conferência de imprensa, o
presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões, Rogério
Abrantes, disse que, de entre as três soluções em cima da mesa, a que o Governo
prefere é a requalificação do actual traçado.

«Está um pouco aquém dos nossos desejos, mas pensamos que, com os
estudos que vão ser feitos, tudo isso será melhorado
», frisou Rogério
Abrantes durante a conferência de imprensa realizada ao lado do IP3, em
Tondela. Segundo o também presidente da Câmara de Carregal do Sal, numa
primeira fase, o IP3 terá quatro faixas (2+2) em 85% do seu trajecto, três
faixas (2+1) em 12% e duas faixas (1+1) em 3%.

Rogério Abrantes (PS) disse
que, «se os 12% ainda serão admissíveis»,
sempre com a intenção de virem a ser reduzidos, o mesmo não acontece com os 3%
em que apenas há uma faixa para cada lado. «Tem que ser revisto e melhorado durante a execução do projecto»,
defendeu, explicando que «a maior parte do trajecto em 1+1 será nas actuais
pontes
», onde se podem gerar «grandes
constrangimentos
».

O presidente da CIM Viseu
Dão Lafões frisou que, apesar dos melhoramentos que poderão vir a ser feitos, o
facto de o IP3 ficar com 85% do percurso em perfil de autoestrada «é uma notícia bastante boa», que representa
«uma melhoria substancial
» para todos os que transitam nesta via. «Não é a solução ideal, mas é a solução possível
no quadro em que vivemos
», disse, por seu turno, o presidente da Câmara Municipal
de Tondela, José António Jesus (PSD).

O autarca mostrou-se
confiante de que haverá «razoabilidade
para que os constrangimentos sejam ultrapassados
», aludindo quer à
duplicação das vias nas pontes, quer à zona da Livraria do Mondego, no concelho
de Penacova. Na sua opinião, «o
importante é dar um passo de cada vez
», sendo que, no caso da Livraria do
Mondego, a solução poderá passar pela construção de um novo troço (com um túnel
e uma ponte), portajado, até porque tem uma alternativa. 

O presidente da Câmara
de Mangualde e do Conselho Regional do Centro, João Azevedo (PS), frisou que se
trata de «uma opção de consenso da
sociedade civil
», que «vai responder
à esperança e aos anseios
» de autarcas, associações e população. «Esta solução, não sendo a mais qualificada,
porque infelizmente não conseguimos ter um corredor duplo em toda a extensão, é
certamente a mais adequada ao país e às pessoas
», considerou.

João Henriques com Lusa

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