PREVENÇÃO – GNR alerta população para queimas e queimadas em segurança

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A operação ‘Queimada Segura‘ vai percorrer o país
até ao dia 31 de maio e, hoje, os militares de Vila Real foram até à freguesia
de Abaças para deixar conselhos aos populares e demostrar como fazer uma queima
de sobrantes em segurança.

Junto ao santuário da Senhora
da Guia, os sobrantes que resultaram do corte de pinheiros foram separados em
três pequenos montes, o terreno à volta de cada um deles foi limpo e regado e
só depois foi ateado o fogo.

Este é um exemplo de como
fazer uma queima legal, mas aos populares o tenente-coronel João Morgado, chefe
do Serviço de Proteção de Natureza e Ambiente (SEPNA) da GNR de Vila Real,
disse também que é importante “ter
em atenção o risco de incêndio previsto para o dia, a nível de calor ou vento e
ainda que se devem, sempre, fazer acompanhar de alguém e de um telemóvel
“.

Joaquim Herdeiro, de 75 anos e
residente na aldeia de Fontelo, Abaças, já tem idade para saber que o fogo é um
risco, mas referiu que aprendeu com os conselhos ouvidos.

Ainda tenho uma mata para limpar, mas com este tempo já não vou
arriscar a queimar porque tenho medo que haja um incêndio
“, afirmou à
agência Lusa.


Maria da Conceição Silvano
disse ter dúvidas sobre como e “até
quando se pode queimar
“. “Vim
aqui hoje para aprender e ver o que eles dizem, a gente não sabe
“,
referiu.

Manuel Joaquim Esteves, de
Abaças, alertou para o que pode acontecer: “metendo fogo em certas alturas, e havendo vento, é lógico que o fogo se
prolongue
“.

Nestas zonas as pessoas usam muito as queimas e, por vezes, há
queimadas descontroladas. As pessoas acendem e depois vão embora e, ao outro
dia, ainda tem lume e isso é muito perigoso
“, referiu o presidente da
Junta de Abaças, Filipe Brigas.

O autarca salientou que, nesta
freguesia, já foi concluída cerca de 80% da limpeza à volta das edificações e
vias, imposta pela lei.

Desde o início do ano, a GNR
contabilizou 465 fogos neste distrito, 50% dos quais resultou de queimas e
queimadas que se descontrolaram, deteve duas pessoas em flagrante pelo crime de
incêndio e identificou mais 60.

Em Vila Real, há ainda o
registo de uma vítima mortal pelo fogo, número que se eleva para os seis mortos
em todo o país.

O tenente-coronel João Morgado
explicou que a operação em curso tem “um
duplo objetivo
“: “por um
lado, tentar reduzir as ignições, os incêndios e, por outro, que a população
tenha uma maior autoproteção para evitar mortes
“.

O uso do fogo na agricultura e
pastorícia é ancestral, mas é preciso que as pessoas “tenham uma melhor perceção relativamente ao risco de incêndio que pode
resultar de uma má queima ou queimada
“, sublinhou.

Nesta pré-epoca de incêndios,
os bombeiros têm sentido “alguma
dificuldade
” devido ao elevado número de ignições e à redução do
efetivo. No distrito, já houve incêndios em que foi necessário mobilizar
dezenas de operacionais.

Temos conseguido fazê-lo, nunca esquecendo o cariz voluntário das
nossas instituições. Em grande parte das ocorrências, somos mesmo o único
agente de proteção civil a responder
“, salientou o comandante da
corporação da Cruz Verde, Miguel Fonseca.

Em dias de subida de
temperatura e de menos humidade verifica-se, de imediato, um aumento das
ignições.

Muitas delas resultantes destas ações de queimas e queimadas. As
pessoas fazem o esforço em poder acompanhar também as exigências legais para
fazer a limpeza dos seus terrenos, mas depois têm que se desfazer dos sobrantes
agrícolas, esquecendo que, às vezes, basta um pouco de vento para poder criar
uma ocorrência de incêndio
“, alertou.

A realização de queimadas é
permitida fora do período crítico, desde que o índice de risco temporal de
incêndio seja inferior ao nível elevado, e exige licenciamento por parte da
autarquia e a presença de técnico credenciado em fogo controlado ou, na sua
ausência, de equipa de bombeiros ou de equipa de sapadores florestais.

As queimas são permitidas em
todos os espaços rurais, fora do período crítico, desde que não se verifiquem
os índices de risco temporal de incêndio de níveis muito elevado e máximo.
Foto Olimpia Mairos