O “Movimento pelo Interior”

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Há coisas na vida das
gentes que se colocam ao nível do absurdo ou do ininteligível; e uma dessas
coisas é a existência do designado “Movimento pelo Interior”, mormente quando
se percebem os seus propósitos … e bem assim quando se analisa o “caderno de
encargos” que os seus membros colocam nas suas cogitações.
Eu devo dizer que sou,
por natureza, contra aquelas questões assumidas como “fracturantes” da nossa
sociedade: cotas para as Mulheres, que as colocam como seres inferiores, quando
o não são verdadeiramente; regionalização, que pressupõe a inferioridade
geográfica só porque sim, etc.
Mas sou a favor da
emancipação do poder local e do seu fortalecimento exponencial, já que um euro
aí vale milhares dos esbanjados pelo poder central e, apesar de tudo, são mais
facilmente escrutinados e escrutináveis os exercícios de poder.
E, dentro deste axioma
dos meus princípios, eu SOU CONTRA esta “coisa” do acima referido Movimento.
Porquê?
Em primeiro lugar
porque o vejo como uma tentativa inadmissível de intromissão tutelar no Poder Local
desse chamado “interior”, em confronto ou quase sequestro de Autarcas da nova
geração com muitas capacidades e,
Em segundo lugar porque
eu não posso acreditar que quem “fabricou” o dito Interior, pobre, isolado, sem
meios ou defesas, só por não dar votos, esteja agora em condições sérias de o
transformar em “litoral”!
E nem posso acreditar
que políticos que estiveram sempre no “contra” uns dos outros, a ver quem
chegava primeiro ao “pote”, estejam agora sintonizados, sem que a isso não se
pressinta subjacente um interesse próprio e efectivo.
Basta ver quem são,
afinal, os “dotados” que formam o dito Movimento, para se concluir que são,
justamente, os mesmos que estando – ou tendo ido – em Lisboa, ali foram agindo
como se as suas terras natais não existissem e ali foram engordando à conta da
política triste que criou um País absolutamente distorcido, a várias
velocidades, com a agravante de terem construído um modelo de desenvolvimento
que foi desertificando/secando tudo à sua volta, enquanto criava uma corja de corruptos
profissionais…
Ou não terão estes
senhores estado em altos cargos da nação, onde aí sim, poderiam ter invertido o
sentido da destruição pura e simples de partes importantes do território
nacional a que chamam de Interior?
E, se sim, estiveram a
ocupar cargos onde seria sua obrigação FAZER – até pela imposição insíta no
art. 22, da CRP – e disso se alhearam completamente, porque é que agora, quase
todos na descendente da vida, como acontece invariável e inevitavelmente, se
põem em bicos de pés para ajudar o dito Interior a sair do buraco em que eles
próprios o ajudaram a meter?
A minha explicação é
que eles – quase já não notados na tal política – querem arranjar mais uns
tachos para sobreviverem ocupados; ou querem fazer uns jeitos aos seus filhos e
afilhados que têm, nos cargos que eles próprios ocuparam, continuado a matar o
dito Interior; ou querem, pura e simplesmente, fazer vincar a ideia de que o
Interior está para ficar,
POBRE, DESQUALIFICADO
 ASILO DE PORTUGAL, CARENTE DE AJUDA!
E até pode vir a dar dinheiro…
Acaso assim não fosse,
então utilizariam as suas influências – se é que ainda existem – para fazer com
que fosse cumprida a Constituição da República Portuguesa, que tanto têm
desprezado ao longo dos anos em que estiveram na ribalta, incluindo alguns com
promiscuidade evidente entre os cargos públicos e os subsequentes … altamente
lucrativos.
Aí está escrito:
1). Que todos os
cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei;
2). Que somos uma
República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana;
3). Que o Estado é
unitário e respeita os princípios da subsidiariedade;
4). E que deve (O
Estado) promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real
entre os portugueses;
5). Para além de
promover o desenvolvimento harmonioso de TODO O TERRITÓRIO nacional!
Ou seja, em conclusão:
Este dito Movimento
está, à conta de uma necessidade emergente, a querer passar uma esponja sobre
os anos e anos de displicência que os seus membros praticaram e não é, pois, na
minha modesta opinião, confiável!

Luís Amante