CIÊNCIA VIVA – Chuva de estrelas das Perseidas este Domingo

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O Universo é tudo menos estático e monótono. Todos os
corpos celestes, desde os grandes aglomerados de galáxias, até aos átomos das
nubelosas e às poeiras interesterales estão em movimento.

A viagem da Terra em redor do Sol, que se repete todos os
anos, também não é monótona: deslocando-se a uma velocidade média de 30 Km/s, a
Terra atravessa diversas paisagens, caminhos de poeiras testemunhas da visita
de diversos cometas ao nosso sistema solar. A nossa transumância solar
conta-nos histórias do Cosmos. Nessa viagem, o deslumbramento do céu inspira
arte e o melhor da Humanidade.

Neste Domingo à noite, olhemos para o céu estrelado e
deixemo-nos banhar por poeira cósmica. Poderemos presenciar o momento alto da “chuva de estrelas” das Perseidas. Todos
os anos, na noite de 12 para 13 de Agosto, não precisamos de procurar muito
para impressionar de movimento meteorítico a retina ao olhar a abóbada celeste.
É que o planeta Terra atravessa, nessa altura do ano, uma região do espaço
interplanetário semeado de meteoróides, pouco maiores do que uma ervilha, e que
polvilham o caminho percorrido pela cauda do gigante cometa periódico
Swift-Tuttle (cerca de 28 km de diâmetro!) na sua órbita ao redor do Sol, a
qual demora 133 anos terrestres! O primeiro registo de observação da passagem
deste cometa é de origem chinesa e data do ano 69 a.C. O último ocorreu em
1992, data da sua redescoberta.

Como acontece com qualquer outro cometa, quando se aproxima
do Sol, o aumento dantesco na temperatura faz com que pequenos fragmentos do
núcleo do cometa se desprendam e desenhem no espaço a trajectória da órbita
deste. O nosso planeta atravessa em Agosto o rasto meteorítico da órbita do
Swift-Tuttle, e um observador no hemisfério norte terá a sensação de contemplar
uma chuva de meteoros que aparentam jorrar de uma única origem (a radiante) na
esfera celeste, próxima da constelação de Perseus (por isso o nome de
Perseidas).

Uma pausa para definir alguns nomes que muitas vezes
aparecem trocados e mal utilizados. Segundo o Observatório Astronómico de
Lisboa, “designa-se por meteoro o
fenómeno luminoso resultante da entrada na atmosfera da Terra de um corpo
sólido proveniente do espaço; e por meteoróide um objecto sólido que se desloca
no espaço interplanetário, de dimensões consideravelmente mais pequenas do que
as de um asteróide e bastante maiores do que as de um átomo ou molécula. Os
meteoróides que penetram na atmosfera terrestre dão origem aos meteoros
(estrelas cadentes) e, neste caso, quando o meteoróide ou uma fracção dele
atinge a superfície da Terra, sem ser completamente volatilizado, chama-se
meteorito
.”

É comum observar nesta chuva das Perseidas uma centena de
meteoros no espaço de uma hora, riscando a abóbada a uma velocidade média de
entrada de cerca de 59 km/s (dados do Observatório Astronómico de Lisboa).

O pico mais intenso das Perseidas ocorre a partir das 21
horas do dia 12 até às 8 horas do dia 13. Como a constelação de Perseus só
aparecerá acima do horizonte a Nordeste pelas 23 horas, a observação só será
possível em Portugal a partir desta hora.

Este ano temos a Lua a nosso favor, pois a fase de Lua Nova
ocorrerá no dia 11 de Agosto pelas 10h58 horas. Esta é uma boa notícia para a
observação este ano das Perseidas: Mas será também possível observar durante
esta data os planetas Marte, Saturno e Júpiter durante a mesma noite.

Preparemo-nos, assim, para uma noite deslumbrante com a
observação da abóbada celeste que sempre inspirou a imaginação humana.
António
Piedade
António Piedade é Bioquímico e Comunicador de Ciência.
Publicou mais 500 artigos e crónicas de divulgação científica na imprensa
portuguesa e 20 artigos em revistas científicas internacionais. É autor de sete
livros de divulgação de ciência: “Íris Científica” (Mar da Palavra,
2005 – Plano Nacional de Leitura),”Caminhos de Ciência” com prefácio
de Carlos Fiolhais (Imprensa Universidade de Coimbra, 2011), “Silêncio
Prodigioso” (Ed. autor, 2012), “Íris Científica 2” (Ed. autor,
2014), “Diálogos com Ciência” (Ed. autor, 2015) prefaciado por Carlos
Fiolhais, “Íris Científica 3” (Ed. autor, 2016), “Íris
Científica 4” (Ed. autor, 2017).