FILATELIA – Selos dão a conhecer doçaria da cozinha tradicional portuguesa

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Uma coleção de selos postais está a dar a conhecer a
doçaria da gastronomia tradicional portuguesa. Trata-se de uma emissão dos CTT
em que Olga Cavaleiro, presidente da Federação Portuguesa das Confrarias
Gastronómicas, da Confraria da Doçaria Conventual de Tentúgal e da Associação
de Pasteleiros de Tentúgal, foi convidada para colaborar na seleção da doçaria
a figurar nos selos e a redigir os textos explicativos que acompanham a
coleção.

Não é a primeira vez que os Correios de Portugal lançam uma
coleção filatélica com a temática da gastronomia. “
Eu penso que fomos um dos primeiros do mundo – se não o primeiro – a
trazer para a filatélia pratos tradicionais da cozinha, neste caso, do nosso
país
”, afirma Raul Moreira, diretor de Filatelia dos CTT.

O responsável refere que, em 1996, os CTT pediram ao
consagrado crítico de gastronomia José Quitério que selecionasse pratos da
cozinha tradicional portuguesa para uma coleção de selos que, garante Raul
Moreira, ficou famosa. Seguiram-se outras com temas da cultura gastronómica e
enológica até ser lançada a coleção de doçaria em 2017.

Conhecer
a história do doce


Para além dos selos, existe uma pagela informativa sobre a
doçaria que serve para dar a conhecer a sua história e Raul Moreira sublinha
que os textos “têm a ver não só com
aquilo que foi a convivência, a vivência dos locais onde os doces se
originaram, como também [com] tudo o que esteve em redor desta cultura
”. 
Não é por acaso que os pastéis de Tentúgal
tiveram origem num convento da localidade de Tentúgal. Tudo isto teve muito a
ver com as vicissitudes da nossa história, a revolução liberal, o encerramento
dos conventos, primeiro os dos homens e depois os das mulheres, a necessidade
que as monjas tiveram de se fazerem à vida, e portanto começaram a
comercializar os doces que entretanto faziam apenas nos conventos como uma
forma de sobrevivência e tudo isso está muito bem contado nesses textos
descritivos que a doutora Olga fez para nós nestas edições
”, acrescenta.

Aquilo que eu
procurei fazer foi uma recolha da história de cada um dos produtos e, no fundo,
descrever quer o processo de produção, quer o sabor, quer a história, quer os
protagonistas
”, explica Olga Cavaleiro.

Selo
embaixador das regiões


Olga Cavaleiro saúda esta iniciativa dos CTT, da qual se
orgulha, e afirma que “a filatelia
associada à alimentação tem a vantagem de que o selo é um belíssimo embaixador
das respetivas regiões
”, e que permite divulgar com maior abrangência
produtos menos conhecidos que, garante, contam histórias.

Para nós, na
gastronomia e na doçaria (de que neste caso concreto estamos a falar) está
também a cultura do país e é muito gratificante conseguir ver como essas
matérias acabam por ser uma expressão formal estética atraente num quadradinho
tão pequenino como é o selo de correio
”, refere Raul Moreira.

A dirigente da Federação Portuguesa de Confrarias
Gastronómicas expressou o seu gosto e encanto pela doçaria e, com os textos,
procurou mostrar como “
através das
coisas mais simples, dos ingredientes mais simples, saem depois os resultados
mais extraordinários, mais opulentos, mais saborosos, os doces mais ricos, com
maiores fragrâncias e com maior riqueza de colorido
”. Açúcar, ovos, farinha
e água; são apenas quatro ingredientes, que dão origem aos doces mais variados.

A iniciativa está a ter sucesso, considera o diretor de
Filatelia dos CTT, porque “
o tema da
gastronomia é muito querido aos portugueses
”. Tem a convicção de que os
clientes dos CTT gostam destes temas, um fator que se associa à possibilidade
de as pessoas se reverem em coisas da sua terra, defende.
|e|
Maria Inês Morgado
– Diário As Beiras




Selos
gastronómicos | Doçaria Portuguesa

Da primeira série, de 2017, constam os Ovos Moles de
Aveiro, os Pastéis de Tentúgal, os Rebuçados de Portalegre, a Tigelada de
Abrantes, as Queijadas de Vila Franca do Campo e os Pastéis de Belém

A segunda série, lançada em julho deste ano, inclui o
Pastel de Feijão de Torres Vedras, o Bolo de Ançã, as Bonecas de Massa do
Caniço, a Marmelada Branca de Odivelas, a Crista de Galo de Vila Real, o
Travesseiro de Sintra e a Queijada de Évora.

A coleção é constituída por selos da edição base (os mais
utilizados nas cartas): tarifa base, tarifa nacional, serviço europeu, serviço
internacional e correio azul.

São também emitidos selos de valor facial mais baixo para
possibilitar combinações, caso a tarifa de envio aumente

Os selos podem ser adquiridos nos balcões CTT

A pagela informativa sobre a doçaria tem um custo adicional
de 0,75 euros

Coleção vai integrar um total de 25 doces de Portugal
continental e ilhas